we could have tongues of angels we could move mountains with our faith we could give everything away but if we don't have love we're left with nothing
we could see blind eyes opened know all the mysteries of our faith we could sing all the highest praise but if we don't have love we're left with nothing
people of God rise up rise up and shine God's love we are the light of the world of the world oh we are the light of the world of the world oh
love is the what holds it all together love never fails, it never dies there is no deeper truth we know that God is love, our God is love tear down the walls that divide us let love rebuild and unite us all we need is all we need is love
Esta letra dá que pensar. Reflecte uma postura agnóstica, algo que também dá para notar noutras músicas da Nerina Pallot (ainda que esta letra não seja sua). Essa tendência para o agnosticismo é particularmente evidente nas linhas:
"Cause I don't know if you exist Or if I even care."
Mesmo assim ela canta uma canção dirigida a um Deus que ela não sabe se existe... mas que gostava que existisse:
"But when I lay me down I'd like somebody there"
Julgo que esta letra expressa o desencanto de muita gente em relação à religião. Uma religião definida pelas regras e por uma espiritualidade redutora que muitas vezes é demasiado centrada no invisível, numa guerra de doutrinas, sem interferência nas coisas práticas da vida e sem relevância para o mundo caótico em que vivemos.
"Not that sentimental fairytale To keep us in our place"
E os cristãos têm muita culpa pelo estado actual das coisas. Quando estava a chegar o momento em que Jesus seria traído e entregue aos romanos para ser crucificado, Ele teve a preocupação de deixar aos seus discípulos algumas instruções finais e, nessas instruções, Ele reforçou muito uma coisa: o amor entre os discípulos! "Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros." (João 13:34 e 35)
Nunca estudei a hermenêutica dos evangelhos, mas talvez não seja preciso um estudo aprofundado para concluir que aquilo que Jesus diz aqui é que as pessoas à nossa volta vão conhecer o amor de Jesus através do amor dos cristãos uns pelos outros. A Igreja deve ser uma comunidade onde a graça, o amor e a união se tornem visíveis e de tal forma atraentes que as pessoas à volta não possam resistir a juntar-se a nós.
Mas será que temos vivido esta instrução de Jesus? Ou será que a Nerina tem razão quando canta
"All your people do these days Is argue, fuss and fight And they fuss some more And wipe the blood and say 'At least we know we're right'"
Não temos nós demasiadas vezes semeado conflitos em vez de semear graça? Não estamos nós mais preocupados em afirmar as nossas certezas em vez de vivermos como Jesus nos ensinou? É para reflectir... Que possamos arregaçar as mangas para trabalhar unidos, em vez de usar os dedos para apontarmos os supostos erros dos outros...
Gosto muito do final da canção que reflecte o desejo de que Deus se importe com toda a gente... Ele não é posse de um grupo de iluminados ou de um grupo de sortudos. A relação com Deus não está vedada a ninguém, não há proscritos, nem há pessoas que merecem mais do que outras. Ele deseja que TODOS se aproximem dele e experimentem a graça e o amor que Ele tem para oferecer. E é responsabilidade da Igreja viver e mostrar esse amor incondicional!
"Do you keep your blessings for the rich The pyres and the guns Or if you're half the man I hope You root for everyone You root for everyone"
«O futuro da Igreja é não haver denominações... nem que seja quando estivermos todos com o Pai, no paraíso... talvez possamos dar já passos nesse sentido, esquecendo o que nos separa e abraçando as causas que nos são comuns, a graça, a justiça e o amor, mantendo o foco, o nosso e o daqueles que ouvem a nossa mensagem, no essencial: Jesus!»
Muito bom!!! Depois disto só me resta mesmo colocar o livro "Proibida a entrada a pessoas perfeitas", escrito por Jonh Burke que é este tipo que aparece a falar no vídeo, no topo das minhas prioridades de leitura a curto prazo!
«The gospel is good news for sick people and is disturbing for those who think they've got it all together. Some of us have been told our whole lives that we are wretched, but the gospel reminds us that we are beautiful. Others of us have been told our whole lives that we are beautiful, but the gospel reminds us that we are also wretched. The church is a place where we can stand up and say we are wretched, and everyone will nod and agree and remind us that we are also beautiful.»
Shane Claiborne, The Irresistible Revolution
Tentativa de tradução: «O evangelho é boas notícias para as pessoas doentes e é perturbador para aqueles que pensam que têm a sua vida toda em ordem. Alguns de nós temos sido considerados toda a vida uns desgraçados, mas o evangelho lembra-nos que nós somos belos. Outros de nós temos sido considerados belos toda a vida, mas o evangelho lembra-nos que nós também somos uns desgraçados. A igreja é um local onde nós nos podemos levantar e dizer que somos desgraçados, e toda a gente vai acenar com a cabeça, concordando e lembrar-nos que também somos belos.»
Acrescentei um novo vídeo à barra lateral do blogue. Este! Já o vi mais de uma dezena de vezes e continua a mexer comigo. É um vídeo que promove uma igreja específica nos EUA, mas, no fundo, este vídeo devia promover a Igreja no seu todo. Devia ser uma ilustração da Igreja não como instituição criada pelos homens, mas como uma família de pessoas (ou de maltrapilhos, palavra tão bem empregue por Brennan Manning) que habitam à sombra da cruz e vivem no e pelo Amor do Pai... As diferenças entre o conceito de Igreja que o vídeo sugere e as igrejas que na realidade existem são enormes. Talvez seja tempo de fazermos uma reflexão sobre a forma como estamos a desempenhar o nosso papel de Igreja. E talvez seja tempo de pedirmos perdão àqueles que procuram na Igreja uma família e têm encontrado um tribunal...