«How are you to adress this world with the gospel of Jesus? You cannot just hurl true doctrine at it. You will either crush people or drive them away. That is actually not a bad thing, because mission and evangelism were never actually meant to be a matter of throwing doctrine at people's heads. They work in a far more holistic way: by praxis, symbol and story as well as what we think of, in a somewhat modernist way, as "straightforward" exposition of "truth". I am reminded, too, of the power of symbolic praxis to go beyond words when I think of one of the greatest ballerinas of all time. After one of her great performances somebody had the temerity to ask her what the dance meant. Her reply was simple and speaks volumes to us as we consider mission in the postmodern world. "If I could have said it," she said, "I wouldn't have needed to dance it."
(...)
We must therefore get used to a mission that includes living the true Christian praxis. Christian praxis consists in the love of God in Christ being poured out in us and through us. If this is truly happening, it is not damaged by the postmodern critique, the hermeneutic of suspicion. »
Tenho andado a pensar (sim, às vezes eu penso!)...
É possível que o desejo mais forte do ser humano seja o de alcançar conforto. Talvez eu esteja errado, mas parece-me que a sede de conforto é a principal motivação das nossas acções. Compramos tralha atrás de tralha em nome do conforto. Gerimos os nossos relacionamentos com base no que mais nos convém, no que menos atrapalha o nosso conforto. Mesmo as boas acções que fazemos são, muitas vezes, uma forma de afastar o desconforto que ameaça instalar-se na consciência.
Eu procuro o conforto muito mais do que qualquer outra coisa. Muito mais do que a liberdade, do que o amor e do que a verdade que, em teoria, são valores mais importantes para mim. Na prática, o conforto é o meu alimento e qualquer migalha que eu consiga adquirir torna-se, de imediato, o meu bem mais valioso. Mais do que um bem: é um vício. Este apego ao conforto está tão enraizado em mim e é tão inconsciente que raramente me lembro de o questionar. Nem sou capaz de identificar todos os reflexos quotidianos deste vício.
Por outro lado, eu gostava de ser cristão. E o cristianismo oferece uma resposta completa à necessidade de conforto: o meu conforto é a graça de Deus. A graça deve ser a âncora da minha vida, a única âncora. E é esta graça radical que nos concede liberdade. Liberdade no sentido proposto por Jesus, que tem um significado muito diferente da liberdade que a sociedade persegue. Ser livre passa por apagar a necessidade de vivermos para a nossa auto-satisfação... passa por abdicar do conforto. Afinal, foi isso que Jesus - o nosso maior exemplo - fez! Ele abdicou de todo o conforto para enfrentar uma sociedade que, no fim, revelou-se hostil à sua mensagem. Por fim, abdicou da própria vida, inaugurando assim um caminho alternativo para a vida do homem, um caminho que passa pela abnegação e no qual a motivação primária para as acções e palavras é a compaixão profunda pelos outros.
Impõe-se, por isso, a questão: até que ponto é que eu, enquanto cristão, devo abdicar intencionalmente do conforto oferecido pelo materialismo? Até que ponto é que eu devo lutar para alterar as motivações egocêntricas das minhas acções e dos meus relacionamentos? É certo que eu não tenho capacidade para me mudar por mim próprio. A mudança será sempre mais o resultado da transformação que eu permito que Deus faça em mim, do que o resultado do meu esforço pessoal. No entanto, devo estar receptivo a essa acção de Deus e participar nela activamente... provocá-la até!
Creio que Deus deseja moldar o carácter das pessoas, renovar a forma como lemos a vida e pôr em causa muita coisa que temos como certezas. Acredito nisto e, por um lado, quero que isto aconteça. O problema é que eu raramente levo a sério a proposta de vida radical que Jesus nos trouxe... O problema é que eu tento conciliar o sofazinho confortável com a cruz de Jesus. É aqui que está o busílis da questão e é isto que tem ocupado o meu pensamento ultimamente: será que o sofá e a cruz são compatíveis?
É muito bom quando alguém verbaliza por nós os pensamentos que nos assaltam a mente, mas que não conseguimos pôr por palavras. Foi isso que senti ao ler o texto que este poste recomenda. Senti que o autor deu vida não somente aos seus pensamentos, mas também aos meus e, provavelmente, aos pensamentos de outros cristãos que por vezes se sintam incomodados pelo orgulho daqueles que advogam uma doutrina cristã específica em detrimento de outras. A doutrina é importante, mas não é o principal. Quando nos ocupamos mais a defender uma doutrina do que a cultivar um cristianismo relacional, autêntico e movido pela graça, corremos o risco sério de transformar o cristianismo apenas numa religião. Somos salvos pela graça e não pela doutrina. Termino usando a mesma frase com a qual Brissos Lino começa o seu texto e reforçando a minha sugestão para lerem todo o texto:
«Caleb left the office [Jeff's office, his pastor]. After he walked out through the church's front doors, he stopped under the archway and rubbed his temples. He was surprised to find himself shaking. Am I crazy? Jeff was his mentor and friend, and he had relied on his support and encouragement over the past couple of years. It had sustained him. But... he doesn't understand me anymore. It wasn't safe for him to bring up questions. Emptiness echoed in him like a late-night leaky faucet. His chest tightened. His eyes stung. He bowed his head and shuffled slowly through the drizzle to his parked car.»
A foto foi encontrada no grupo do facebook que referi num texto anterior: "I'm a christian and I'm proud." (Parece que há quem se esteja a divertir usando o grupo para fazer propaganda anti-cristã e esta foto serve muito bem esse propósito). O texto é um excerto de um livro que estou a ler, chamado True Story: A Christianity Worth Believing in. Em linhas gerais o livro é uma história inventada sobre um jovem cristão, chamado Caleb, que começa a questionar alguns aspectos da fé. Põe em causa o cerne do cristianismo que lhe ensinaram e mesmo o objectivo do evangelho. O bacano sente que na sua igreja é incompreendido e que não há abertura para colocar as questões que lhe assaltam a mente. Acaba por entrar em contacto com uma pessoa que o conduz num processo de redescoberta da fé. Uma fé com raízes mais sólidas, um evangelho que aponta para uma nova visão do mundo e para uma missão global que torna o cristianismo relevante no caos em que vivemos.
Encontro nesta história vestígios da minha própria biografia. Também tenho passado por um processo de redescoberta da fé. Cresci com dificuldade em me identificar com uma grande parte dos cristãos adultos que conhecia. Sempre me pareceu que em muito do que nós fazíamos na igreja não batia a bota com a perdigota. Sentia dificuldade em carregar a bagagem adicional à fé, composta por regras, costumes estranhos, tradições sem sentido e doutrinas confusas. Passei por muitos conflitos mentais e por uma fase de muita saturação. Felizmente ao longo do tempo conheci pessoas, tive conversas, vivi experiências e li livros que foram pavimentando o caminho da redescoberta da fé que eu mais tarde percorri. Hoje estou convicto que muita da bagagem adicional que me obrigavam a carregar é desnecessária e, até, prejudicial. Aos poucos, às vezes sorrateiramente, outras vezes com uma ponta de rebeldia que considero saudável, vou mandando essa bagagem às malvas!
É provável que muita gente da minha geração se identifique com a história do Caleb. Não fomos educados para a reflexão e sentimos que não há tempo e espaço para expor dúvidas e levantar questões. Diria até que muitos de nós fomos educados para ter medo das nossas próprias ideias... e por preguiça cedemos a esse medo! É mais fácil ir com a corrente! (E esta análise tanto é válida para cristãos como para não cristãos, basta substituir o contexto da igreja pelo da sociedade e da cultura!)
É mais fácil fazer o que sempre fizemos, pensar o que sempre pensámos, viver como sempre vivemos. É cómodo. Contudo a culpa não é só nossa. É uma questão de educação, de cultura e talvez também de conflito de gerações. Por ignorância, cobardia ou por razões ainda mais obscuras, não somos encorajados a pensar. Pelo contrário. Somos encorajados a tomar por empréstimo as ideias dos outros, a fé dos outros, os argumentos dos outros. Nos casos extremos, somos cobaias de uma lavagem cerebral efectuada por aqueles que têm poder sobre nós.
Infelizmente, às vezes a lavagem cerebral é feita através dos púlpitos. Criam-se rebanhos de ovelhas fanáticas que dizem "amééééé" a tudo. É o que eu chamo de "cristianismo" (obviamente entre aspas) castrador de identidades. E quando uma ovelha tem dúvidas é assaltada por um desconforto tão grande que mais vale reprimir todas as questões e lidar com os dilemas individualmente... até atingir o ponto de saturação. A foto lá de cima exemplifica o tipo de fundamentalismo promovido pelas igrejas mais extremistas. (Convém dizer que não conheço nenhuma igreja assim. Uma (pequena?) parte das igrejas evangélicas que conheço poderá ainda ter vestígios deste género de fundamentalismo, mas nada tão declarado como esta triste foto sugere.)
Reparem agora no contraste entre a foto lá de cima e a exortação que Paulo deu aos cristãos de Roma (exortação essa que, por estes dias, é um dos meus versículos preferidos): "Não se conformem com os padrões e costumes deste mundo, mas sejam como gente diferente, através da renovação da vossa maneira de pensar" Romanos 12:2
Pensar não tem nada de anti-cristão. Pelo contrário. O cristianismo deve estar na vanguarda do pensamento livre. Livre dos raciocínios viciosos que nos querem impingir, venham eles dos pulpitos, das tv's, dos professores, dos livros supostamente eruditos, etc. Livre das argumentações esfarrapadas que vigoram na sociedade, livre dos preconceitos que nos querem controlar... É esta a exortação de Paulo: não se conformem com a forma como as pessoas à vossa volta pensam a vida! Sejam diferentes! Pensem diferente! As igrejas devem promover tempo e espaço para as pessoas reflectirem, colocarem questões, porem em causa os pressupostos da vida e da fé. Construir passo a passo a fé (ou reconstruir) é um processo frutífero e que faz todo o sentido no mundo confuso em que vivemos. Acredito que, quando esse processo é motivado pelo desejo sincero de conhecer a verdade, é o próprio Deus que conduz as pessoas às respostas que elas precisam.
Para os meus amigos que não são cristãos, a minha mensagem é esta: ser cristão não é sinónimo de ser fanático e aceitar sem questionar tudo aquilo que nos querem enfiar no cérebro. No cristianismo há espaço para a dúvida e para as perguntas. Há espaço para pessoas que não sabem tudo e que discordam daquilo que outros cristãos dizem. Porque, ao contrário do que diz o cartaz da foto, ao contrário do estereótipo através do qual os cristãos são julgados, um cristão pode e deve ser "um free thinker".
Agora surgiu no facebook um grupo chamado "I'm a christian and I'm proud". Alguns dos meus amigos aderiram ao grupo e entretanto recebi um convite para aderir também. Mas não o fiz. Porque não me orgulho de ser cristão. Antes que os meus leitores cristãos comecem a resmungar contra mim e que os meus leitores não-cristãos comecem a sorrir pensando que eu me "desconverti", deixem-me explicar melhor...
Ser cristão não é algo de que eu me possa orgulhar. Digo até mais: ser cristão não é uma escolha, porque na verdade não tenho alternativa. Um dia Jesus perguntou aos discípulos se queriam desistir de o seguir. Pedro devolveu a pergunta a Jesus "[mas se desistirmos de te seguir] Para quem iremos nós?" (João 6: 67-68). Esta pergunta retórica soa-me a qualquer coisa como "Mas qual é a alternativa?". Sou cristão porque necessito de redenção e reconciliação com Deus e porque a graça do Pai, expressa através da vida e do sacrifício de Jesus, é o caminho para essa reconciliação. Não há alternativa. E a graça não é algo de que me possa orgulhar. Não há qualquer laivo de mérito próprio envolvido no processo de reconciliação com Deus. É um favor 100% imerecido que o Pai dá a um filho maltrapilho.
Além disso, há um contra-senso grotesco quando nos orgulhamos de ser cristãos. Vejamos...
É natural (embora perigoso) orgulharmo-nos de coisas que fazemos bem. Se temos boas notas na escola é natural que a aprovação que recebemos dos nossos amigos, família e professores faça brotar em nós uma ponta de orgulho. Se temos talento nalguma área específica como a música e o desporto (e a matemática, porque não?!) a admiração que granjeamos com os nossos desempenhos também nos leva a inchar e a ficar feios como os sapos. Em resumo, a sociedade tolera e até promove o orgulho, quando este surge como consequência de um bom desempenho na tarefa que nos propomos realizar. Ora se nos orgulhamos de ser cristãos, a ideia subjacente é que somos bons nessa tarefa, que somos bons seguidores de Cristo. Mas caramba! vamos lá a chamar os bois pelos nomes: em geral nós (com algumas felizes excepções) somos péssimos seguidores de Cristo (e isto para mim é tão evidente que nem me vou dar ao trabalho de argumentar)! Portanto estamos a orgulhar-nos de uma coisa na qual somos péssimos... É ou não é um contra-senso?
Aos meus ouvidos e aos ouvidos de muitos não-cristãos, ouvir alguém a orgulhar-se de ser cristão soa a arrogância. Acredito que quem fundou o grupo no facebook não tivesse intenção de soar arrogante. Aliás, deve ter sido fundado com uma aparentemente boa intenção: encorajar os cristãos a desfraldarem a bandeira do cristianismo. No entanto eu não creio que o cristianismo deva ser exibido com orgulho, mas com humildade, sabendo que tudo aquilo que somos é pela graça. E se queremos desfraldar a bandeira do cristianismo podemos e devemos fazê-lo trocando as palavras por actos de amor. Em vez de usarmos os púlpitos das igrejas para fazermos discursos inflamados (ou o facebook para criar grupos de valor duvidoso), podemos usar os braços para amparar quem está só ou em sofrimento, os recursos para suprir necessidades dos necessitados, o amor e a graça que Deus derramou em nós para responder à injustiça e ao ódio.
Há pouco tempo aderi a um outro grupo no facebook chamado "sou evangélico(a) (ou simpatizante), mas não é por mal!". Se calhar estes dois grupos até servem propósitos semelhantes. Mas as palavras escolhidas são diferentes e sugerem uma motivação diferente, uma ideia-base diferente para o grupo. Talvez vejam esta minha opinião como uma picuinhice exagerada e desnecessária, com vestígios de fundamentalismo. Talvez seja uma opinião altamente criticável e é provável que possam contrapor-lhe sem esforço algumas críticas bem mandadas. Aceito que digam que eu estou a levar demasiado à letra algo que talvez se resuma a uma escolha infeliz de palavras. Porém eu acho que é preciso ter cuidado com estas coisas, para não distorcermos ainda mais aquilo que é afinal o cristianismo. E também porque talvez esta escolha de palavras não seja apenas infeliz, mas um reflexo de um problema mais grave que invadiu as igrejas como uma praga, a arrogância. Felizmente, a tendência da igreja emergente é abrir mão dessa arrogância e optar por uma terapia de graça e humildade! Talvez os passos que demos nesta terapia sejam ainda poucos e ainda indecisos, meio aos tropeções... Mas não queiram voltar atrás, por favor!!!
E lembrem-se: "Há mulher de César não basta ser séria"... E agora, se me dão licença, I rest my case.
«O futuro da Igreja é não haver denominações... nem que seja quando estivermos todos com o Pai, no paraíso... talvez possamos dar já passos nesse sentido, esquecendo o que nos separa e abraçando as causas que nos são comuns, a graça, a justiça e o amor, mantendo o foco, o nosso e o daqueles que ouvem a nossa mensagem, no essencial: Jesus!»
"I was watching BET one night, and they were interviewing a man about jazz music. He said jazz music was invented by the first generation out of slavery. I thought that was beautiful because, while it is music, it is very hard to put on paper; it is so much more a language of the soul. It is as if the soul is saying something about freedom. I think Christian spirituality is like jazz music. I think loving Jesus is something you feel. I think it is something very difficult to get on paper. But it is no less real, no less meaningful, no less beautiful.
The first generation out of slavery invented jazz music. It is a music birthed out of freedom. And that is the closest thing I know to Christian spirituality. A music birthed out of freedom. Everybody sings their song the way they feel it, everybody closes their eyes and lifts up their hands."
Tentativa de tradução:
"Estava a ver a BET uma noite, e eles estavam a entrevistar um homem acerca de música jazz. Ele disse que o jazz foi inventado pela primeira geração livre da escravatura. Eu achei isso lindo porque, apesar de ser música, o jazz é muito difícil de pôr no papel; é muito mais uma linguagem da alma. É como se a alma estivesse a dizer algo acerca da liberdade. Eu penso que a espiritualidade Cristã é como a música jazz. Penso que amar Jesus é algo que tu sentes. Penso que é algo muito difícil de pôr no papel. Mas não é por isso que se torna menos real, com menos significado, com menos beleza.
A primeira geração livre da escravatura inventou o jazz. É uma música gerada pela liberdade. E isso é a coisa mais próxima que eu conheço da espiritualidade Cristã. Uma música gerada pela liberdade. Toda a gente canta as suas canções do jeito que as sentem, toda a gente fecha os seus olhos e levanta as suas mãos."
Excerto do livro Blue Like Jazz, de Donald Miller, um livro que é, digamos, hmm, BRUTAL!!!
«Ser cristão é uma coisa que nunca ficará bem definido em palavras. É uma assimptota para tudo o que conseguires dizer. Nunca vais conseguir descrever tudo, mas também consegues passar toda uma vida a aproximar-te da definição perfeita... Mas a primeira aproximação é simplesmente "seguidor de Cristo"»
Carlos Paulo (numa caixa de comentários deste blogue)
Apresento as minhas desculpas: na ausência de tempo e/ou inspiração para a escrita, encher o blogue com citações revela falta de originalidade. Mas considero estas citações pertinentes e já que a maioria dos leitores do blogue não estará na disposição de ler um livro do Shane Claiborne, confronto-vos pelo menos com algumas das suas afirmações que mais mexeram comigo.
Entretanto estou a ler outro livro dele, desta vez em co-autoria com John Perkins. Hoje na minha rotineira viagem de comboio, após ler algumas páginas do livro, dei por mim a pensar que o problema dos cristãos e o problema das igrejas é que passamos o tempo preocupados em falar do cristianismo. Apontamos as doutrinas básicas que qualquer cristão deve entender e aceitar como dogmas. Estudamos e discutimos as passagens bíblicas ao sabor da interpretação que mais nos convém e entramos em confronto com outros grupos de cristãos cuja interpretação é diferente da nossa. Há multidões a falarem de cristianismo... e muito poucos a viverem o cristianismo. Cada vez estou mais convencido de três coisas:
1) O cristianismo tem pouco a ver com uma boa parte daquilo que constitui a mensagem das igrejas ditas cristãs. Num dos muitos livros que li ultimamente (neste momento não me lembro qual) li um pensamento curioso: se tentássemos fundar uma religião cujos ensinos fossem opostos aos de Jesus, encontraríamos uma religião muito parecida com o cristianismo que conhecemos, o cristianismo "ocidentalizado", feito à nossa medida... Esta é uma opinião exagerada, mas é triste verificar que tem o seu quê de verdade. É por isso que faz sentido dizer aquilo que um amigo do Shane Claiborne um dia lhe disse: «Vou deixar o cristianismo e vou passar a seguir Jesus.»
2) Há princípios essenciais que devem constituir os pilares da fé de qualquer cristão. Mas não são tão complexos assim e atrevo-me até a dizer que, se for necessário, podemos resumi-los facilmente num versículo ("Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna." João 3:16). Para além do essencial, há muita coisa que é acessória. Há muita doutrina que pode servir de edificação para alguns cristãos mas que para outros não passará de um fardo a fazer peso sobre a sua fé. Longe de mim sugerir que a igreja não doutrine os crentes. O que sugiro é que essas doutrinas sejam alvo de análise nas igrejas, sejam estudadas, explicadas e assimiladas sem imposição. E que se permita que os crentes duvidem e questionem, em vez de se verem sobrecarregados com dogmas obrigatórios.
3) É muito perigoso e infrutífero ficarmos presos a discussões sobre o cristianimo com aqueles que têm visões diferentes das nossas. Essas discussões são estereis. O cristianismo não é para ser discutido, é para ser vivido. Ser cristão não é acreditar numa lista infindável de dogmas. Ser cristão é ser seguidor de Cristo. Ou, dito de uma forma, mais profunda, ser cristão é ser as mãos, os pés, os olhos, a voz de Cristo na terra. Podemos falar muito do cristianismo, mas só somos cristãos quando passamos à prática. O mundo não precisa de igrejas cheias de gente que julga saber muito bem o que é ser cristão. O mundo precisa de seguidores de Cristo.
Frequentemente, pessoas não cristãs colocam-nos a seguinte pergunta: se realmente existe um Deus que nos ama, porque é que Ele nos obriga a rezar, a ir à igreja e a cumprir uma série de rituais e/ou deveres que restringem a nossa liberdade? Reconheço uma lógica implícita neste raciocínio e reconheço até que é uma lógica válida e que pode ser fortalecida pelo estudo da história do cristianismo ou pela simples observação de muitos rituais religiosos que ainda permanecem bem enraizados na nossa sociedade.
Mas se a pergunta é pertinente, existe também uma resposta que (acho eu) é igualmente lógica e que vou tentar expor nas próximas linhas.
Começo por dizer que muitas pessoas que vêem o cristianismo de fora não chegam a tomar conhecimento daquilo que ele é realmente. E, não querendo ofender ninguém, atrevo-me também a dizer que muita gente que se diz cristã também não sabe o que é o cristianismo. Ou porque nunca lhes explicaram ou porque, mesmo sabendo o que é, preferem viver um pseudo-cristianismo moldado aos caprichos e às ideias do homem. O cristianismo não tem nada a ver com rituais ou tradições complicadas. Ser cristão não é como seguir um manual de instruções sem sentido, pensando que dessa forma compramos a nossa salvação, a nossa paz, a nossa felicidade ou a nossa vida para além da morte. O cristianismo não é uma troca de favores ou um negócio entre o homem e Deus.
Da forma como eu vejo as coisas, o cristianismo nem sequer é uma religião. Esta pode parecer uma opinião fundamentalista, mas é esta a opinião que melhor espelha aquilo em que acredito: as religiões são os caminhos que o homem inventou ao longo da história para tentar conhecer Deus; o cristianismo foi o caminho que Deus deu ao homem para que o homem o possa conhecer.
É por isso que não reconheço em Deus qualquer vestígio de crueldade ou injustiça. Porque para ser cristão não é preciso viver preso a um conjunto de regras irracionais, sacrificando a nossa liberdade de modo a subirmos mais um degrau na escada que nos leva a Deus. Não é disso que se trata o cristianismo. Se assim fosse, ser ou não um bom cristão seria resultado de uma espécie de selecção natural que favoreceria as pessoas com mais capacidade para o masoquismo. A mensagem do cristianismo é a de que, através do sacrifício de Jesus, o homem tem, se assim o desejar, livre acesso a uma relação com Deus, sem que seja necessário qualquer sacrifício adicional. É como se, ao reconhecermos Jesus como «o caminho, a verdade e a vida», Ele nos pegasse ao colo e nos levasse ao topo da escada, junto de Deus. Não é necessário o nosso próprio esforço para subirmos mais degraus. Ele põe-nos logo lá em cima!
A história do cristianismo está repleta de episódios macabros. Muita gente mal intencionada abusou da boa-vontade e da ignorância dos crentes, impondo regras e costumes opressores. Mesmo no tempo de Jesus, havia o grupo dos fariseus, gente letrada e extremamente religiosa que influenciava negativamente a forma como os judeus praticavam o judaísmo. A história das várias correntes cristãs conta acerca de grupos que, seguindo a onda dos fariseus, deturparam a mensagem central do cristianismo. Alguns dos episódios mais tristes das sociedades ocidentais desenvolveram-se baseados nessa mensagem deturpada: as cruzadas, a inquisição, a escravatura...
Acerca da história do cristianismo sugiro o filme Luther, que conta a vida de Martinho Lutero. Um padre que percebeu que aquilo que a igreja do século XVI pregava não tinha nada a ver com o evangelho que Jesus pregava e que, por ter lutado contra as tradições da igreja, acabou por tornar-se uma das personagens mais importantes da história do cristianismos, dando origem a muitas igrejas protestantes e também obrigando a uma inevitável reforma na própria igreja católica, ainda que muito atrasada.
Mas não pensemos que as tradições macabras e desumanas (se virem o filme ficam a saber melhor do que estou a falar) aconteceram apenas no passado, numa época ainda muito medieval. Ainda hoje há ignorância suficiente para se praticarem os actos mais horrorosos em nome do cristianismo. Este vídeo é um exemplo disso:
Também podia pôr aqui este... mas é realmente horrível (não aconselhado a pessoas sensíveis). Obviamente a igreja católica já há muito tempo se distanciou desta prática absurda levada a cabo pelos "cristãos" das Filipinas. Mas até que ponto é que as peregrinações não são também práticas masoquistas e inúteis? E até que ponto não são também inúteis as regras e todos os rituais aos quais os cristãos são, muitas vezes, obrigados a submeter-se? E as rezas repetidas n vezes apenas por tradição? E para não pensarem que este post é um manifesto anti-católico (não o é; este post é antes de tudo, uma tentativa de responder à pergunta lá de cima. E se tem alguma coisa de manifesto, é um manifesto anti-tudo aquilo que deturpa a mensagem da Bíblia, seja católico, protestante ou qualquer outra variante...) deixem-me pôr aqui no mesmo saco os "sacrifícios financeiros". Aliás, no tempo de Lutero essa era uma das formas de opressão favoritas por parte da igreja. Exigir dinheiro para a salvação, cura ou resolução dos problemas. Hoje em dia há por aí muitas igrejas ditas evangélicas que anunciam bençãos financeiras para os crentes. Os apóstolos desta triste ideologia incentivam os crentes a darem dinheiro à igreja levando-os a acreditar que dessa forma Deus retribuirá e dar-lhes-à prosperidade.
(Abro aqui um parêntesis para dizer que eu frequento uma igreja que se diz evangélica, mas que tem muito pouco em comum com as igrejas acima referidas, para além do nome. E sinceramente tenho vergonha de ter esse nome em comum e prefiro dizer simplesmente que sou cristão, para tentar evitar que me colem a qualquer uma das correntes do cristianismo. Infelizmente há uma proliferação assustadora de igrejas que se auto-denominam evangélicas, causando uma confusão de todo o tamanho. A minha igreja, não sendo perfeita, é onde eu me sinto melhor porque conheço as pessoas que a frequentam e sei que, mesmo com divergências pontuais em relação a questões de doutrina, essas pessoas entendem e vivem o cristianismo da mesma forma que eu. Compreendo que seja confuso para quem está de fora perceber o porquê de tantas igrejas e de tantas divisões entre os cristãos. As razões são muitas, algumas mais válidas do que outras. Mas é provável que em qualquer igreja dita cristã existam pessoas que percebem o cristianismo e que o vivem realmente nas suas vidas e pessoas que não o fazem. A proporção entre estes dois tipos de pessoas varia de igreja para igreja. Avaliar até que ponto uma igreja é mais cristã do que outra é uma tarefa não linear da qual devemos nos abster.)
Voltando ao tema do post, uma coisa é certa: nada daquilo que fizermos vai levar Deus a amar-nos mais. Ele já nos ama com um amor pleno, absoluto, total. Não há qualquer tipo de sacrifício, de reza, de peregrinação, de esforço, de molestação física, psicológica ou emocional, que leve Deus a gostar mais de nós. No mundo consumista em que vivemos, é difícil distanciarmo-nos de uma visão do cristianismo que não exija qualquer troca, qualquer espécie de negócio. Mas é assim mesmo que funciona a graça de Deus. Ele permitiu que Jesus se sacrificasse em nosso lugar e agora não há nada que tenhamos que fazer para ter acesso a Ele. É gratuito, basta aceitá-lo.
E agora vocês perguntam: mas se é assim, isso quer dizer que não é preciso ir à igreja, nem falar com Deus, nem cumprir qualquer tipo de regras? Aceitamos que Jesus morreu por nós criando, através da sua morte e ressurreição, um caminho para Deus e isso é tudo? O cristianismo acaba aí?
Quem acompanha este blog já deve saber a resposta. O cristianismo não acaba aí. Reconhecer que é Jesus que nos reconcilia com Deus é apenas o primeiro passo. A partir daí, já que temos acesso a Deus, ser cristão é estabelecer com Ele uma relação pessoal. E, à medida que vamos percebendo o tamanho do amor que Deus tem por nós, vamos sentindo desejo de aprofundar essa relação. Como em qualquer relação, as duas partes têm que comunicar uma com a outra. Por isso sentimos desejo de falar com Deus, de lhe contarmos os nossos problemas e anseios e de partilharmos com Ele as nossas alegrias. Rezar, ou melhor, falar com Deus, não deve ser uma obrigação auto-imposta sob o medo de não lhe estarmos a agradar o suficiente. Falar com Deus torna-se uma necessidade e um prazer. Tal como falar com os nossos amigos mais próximos e com quem gostamos de estar. E Ele fala conosco através da Bíblia e através daqueles a quem designou para pregar a sua mensagem nas igrejas. E é também natural sentirmos desejo de partilhar a descoberta de Deus com outros que estão a fazer a mesma descoberta. Isso faz-se nas igrejas. Por isso, o desejo de ir à igreja vai crescendo, sem que seja também uma obrigação. A ideia do cristão não deve ser baseada no medo de Deus: "tenho que orar e ir à igreja e cumprir todas as regras, caso contrário Deus vai zangar-se comigo e castiga-me." A ideia é a de fazer essas coisas porque temos gosto em fazê-las, porque elas nos completam.
E é natural que a relação com Deus vá moldando as nossas personalidades, as nossas opiniões e o nosso carácter. Isso reflecte-se em mudanças que, para quem está de fora, podem parecer um sinal de perda de liberdade. No entanto a motivação do cristão não deve ser apenas a de cumprir regras com o intuito de agradar a Deus, como se lhe estivesse a fazer um favor. Ao nos relacionarmos com Deus as noções do bem e do mal, do certo e do errado, vão ganhando contornos mais definidos na nossa consciência e a motivação das mudanças que ocorrem no cristão deve ser uma convicção profunda daquilo que é certo e errado, numa busca constante da integridade da qual Jesus foi o exemplo máximo.
Espero com este texto ter conseguido delinear uma resposta plausível àqueles que julgam encontrar sinais de crueldade em Deus e no cristianismo. A relação do homem com Deus não implica a perda de liberdade. Pelo contrário... reconhecer que precisamos dele e da acção do seu amor nas nossas vidas, levar-nos-à a uma caminhada durante a qual nos vamos libertando dos defeitos e dos erros que nos aprisionam. Deus não nos transforma em escravos seus, mas em amigos! E se é verdade que o cristianismo pode levar os crentes a abdicar de coisas e a imporem, aparentemente, alguma restrição à sua própria liberdade, isso deverá ser feito de coração, com a convicção de que se está a tomar a atitude certa e nunca por medo e obrigação. Caso contrário, estaremos a tornar-nos fanáticos e a viver um cristianismo oco e sem sentido. E em nome desse tipo de cristianismo o homem já mostrou que é capaz de cometer os actos mais loucos que possamos imaginar, actos nos quais não há qualquer vestígio da mensagem de Jesus.
“Se pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36)
Tentei resumir aqui o que significa ser cristão e, neste segundo post, pretendo desenvolver o primeiro ponto. Ser cristão começa por "reconhecer que precisamos de Deus nas nossas vidas e aceitar que é a morte de Jesus na cruz que permite a reconciliação do homem com Deus". A acção de Deus na vida das pessoas é catalisada por dois factores que se desenvolvem em nós, pelas circunstâncias da vida, quando somos honestos, quando reconhecemos que há um vazio no nosso coração que só pode ser preenchido por Ele. Os dois factores de que falo são a necessidade e a fé.
Deus deu-nos as faculdades necessárias para tomarmos as nossas próprias decisões. Ele jamais obrigará uma pessoa a agir e a viver segundo a sua própria vontade. Ele nunca nos forçará a acreditar nele. Ele deu-nos o livre arbítrio e a consciência que nos pode ajudar a distinguir o certo do errado, o verdadeiro do falso. Daí que o primeiro passo para estabelecer uma relação com Deus deva ser dado pelo homem. Um passo motivado pela necessidade e movido por uma fé que, inicialmente, pode até ser frágil, como uma pequena semente, mas que, com o tempo, cresce e frutifica. Porque é o homem quem escolhe o seu caminho e é o homem quem escolhe abraçar ou rejeitar a fé. Existe uma frase feita que exprime bem aquilo que Deus deseja que aconteça com cada um de nós: "dá um passo na direcção de Deus e Ele correrá para ti!".
Jesus contou diversas parábolas que podem ser aplicadas às nossas vidas e uma das mais conhecidas é a parábola do filho pródigo (Lucas 15). Um rapaz que pede ao pai a sua parte da herança para sair de casa e viver a vida desfrutando da riqueza efémera de que dispõe. Quando o dinheiro se esgota, o rapaz é abandonado e torna-se um miserável. Ganha a vida a guardar porcos, desejando alimentar-se com a comida dos animais. Até que percebe que em casa do pai qualquer empregado levava uma vida melhor do que aquela que ele estava a levar e decide voltar para casa, para rogar ao pai que o aceite como um empregado. O pai, que amava o filho com um amor imenso, no dia em que vê, ao longe, o seu filho a regressar a casa, corre ao encontro dele, abraço-o, aceita-o como filho e festeja o seu regresso com alegria. É isto que Deus quer fazer conosco. Ele ama-nos muito e espera ansioso que nós "voltemos a casa". Mas somos nós que temos que tomar essa decisão. E assim que Ele nos vir, ao longe, a dar um passo na Sua direcção, Ele vai correr para nós e vai aceitar-nos como seus filhos.
No entanto, tornar-mo-nos cristãos e sermos cristãos não é algo que se esgote num episódio esporádico de revelação espiritual. Não é um "acontecimento" ou uma "fase". É algo que deve passar a ser a essência da nossa vida. Cristão significa "seguidor de Cristo" e ser cristão significa ser a cada dia mais parecido com Jesus. É um processo contínuo, que deve durar toda a vida, durante o qual a nossa fé se vai aperfeiçoando e o nosso carácter vai sendo moldado por Deus. Mas não quero com isto dizer que o cristianismo implica uma luta individual contra nós próprios, em busca da tal perfeição quer a nível de fé, quer a nível de carácter. O cristianismo implica uma luta contra nós próprios, sim! Implica uma negação daquilo que somos, enquanto seres humanos falíveis e que cometem erros quase à mesma velocidade com que respiram. Mas essa luta não é individual: é uma luta que já está ganha à partida porque Deus está conosco e por Ele somos vencedores. «Mas a nossa vitória é total no meio de todas essas coisas, e isso devido a Cristo, o qual nos amou a ponto de morrer por nós.» (Romanos 8:37). Desde o momento em que damos o primeiro passo na Sua direcção e Ele corre para nós, Ele não nos abandona. O seu amor e a sua graça já fizeram na cruz aquilo que nós não podíamos fazer e esse amor e essa graça continuarão a fazer na nossa vida aquilo que não formos capazes. O cristianismo é a resposta para o vazio que existe no coração do homem porque implica uma vida acompanhada por Deus. Ele não nos deixa sozinhos: cuida de nós, sara os nossos corações tantas vezes magoados pela vida, leva-nos a realizar obras e sonhos que, pelas nossas próprias forças, nunca conseguiríamos realizar...
Talvez alguém ao ler este texto se pergunte: "Ok, dizes que a fé um catalisador para a acção de Deus na vida do homem. Mas fé em quê, exactamente?". Pois quero ocupar as últimas linhas deste post a tentar responder a esta questão. Para tal, vou voltar à frase inicial: "... é a morte de Jesus na cruz que permite a reconciliação do homem com Deus." Esta é a base da fé do cristão: acreditar e aceitar a morte de Jesus como o ponto central da história. Há muitas outras doutrinas ou dogmas defendidos por alguns grupos cristãos. Mas a fé na morte de Jesus e na sua posterior ressurreição é a única condição necessária e suficiente para termos uma fé cristã. Há quem diga que se tivessemos que resumir a mensagem da Bíblia em poucas palavras, podíamos escolher o versículo João 3:16: «Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu único filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.» E se aceitarmos que Jesus é o caminho que nos leva ao conhecimento de Deus e acreditarmos que este versículo contém a essência da mensagem de Deus aos homens, então está dado o primeiro passo para sermos cristãos.
(Nota: é natural que nestes posts acabe por misturar um pouco os três tópicos de que falei aqui, porque o processo não é linear ao ponto de os poder tratar como assuntos distintos.)
Decidi escrever alguns posts acerca do que significa ser cristão. Procurarei expor a minha visão do cristianismo, acente nas minhas experiências e naquilo que tenho aprendido. Tentarei fazer uma abordagem simples porque acredito que o cristianismo se pode explicar de um modo simples. Caso não o consiga fazer será somente por incapacidade própria, por nem sempre ser fácil passar para a palavra escrita aquilo que penso. Ser cristão acenta basicamente em 3 pontos que vou abordar em posts futuros:
1) reconhecer que precisamos de Deus nas nossas vidas e aceitar que é a morte de Jesus na cruz que permite a reconciliação do homem com Deus
2) estabelecer uma relação pessoal com Deus por intermédio de Jesus
3) procurar a cada dia reflectir mais o carácter de Jesus no modo como lidamos com os outros e como os amamos (algo que acontece como resultado da relação que se estabelece com Deus e por acção do Seu amor em nós, e não por mérito da pessoa)
A resposta à pergunta "O que significa ser cristão?" pode não ser dada da mesma maneira, por outros cristãos. Mas qualquer descrição objectiva daquilo que é ser cristão acabará por, na prática, ser equivalente a esta lista de 3 pontos, que vai servir de base para a minha reflexão. Um bom modo de começar este blog é dar a conhecer a base da minha fé e é isso que espero fazer com estes posts. Talvez seja também possível desfazer algumas mistificações que envolvem o cristianismo. A Bíblia não é um livro completamente acessível e as doutrinas cristãs nem sempre são fáceis de compreender e assimilar. Mas Deus ama-nos de um modo simples: é um amor absoluto e perfeito. E esse amor simples é a génese do cristianismo.