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25.8.10

The Room of Grace

«Resolving sin is only the starting point of life in The Room of Grace. God's final objective for us is not resolving sin or "getting well". God's ultimate goal is maturing us into who he says we are, and then releasing us into the dreams he designed for us before the world began. That's where all of this is going. That's what has awakened your hope When we swim in the ocean of God's grace, we can't help but respond with playful abandon. We will grin, laugh, and splash around. We will burst into song at inappropriate times, dance, play, serve, fall on our knees in worship, give our lives away, and embrace each other. We'll sin less. We'll love more. We are free. And, we'll naturally think about others. We'll sacrifice to reach to the lonely, the lost, the helpless, the forgotten. Everything, everything seems fresh, vibrant - alive. We find ourselves pausing in the middle of a busy day, shaking our heads and whispering, "Go figure... me.".»

Excerto de um livro chamado Truefaced, de Bill Thrall, Bruce McNicol e John Lynch.

É uma Apologia da Graça. Tão radical que até custa acreditar e, às vezes, até parece perigoso aceitá-la.

Não sei se vivo in The Room of Grace, nem sei se alguma vez lá estive... Desconfio que pelo menos já andei lá a espreitar à porta. É atraente não é? Viver sem que tenhamos que esconder a nossa verdadeira cara, livres das nossas máscaras, sem medo de expor os nossos defeitos e as nossas necessidades... E, ao mesmo tempo, sermos suportados por um ambiente de Graça que nos permite dar a Deus e aos outros o tempo e espaço necessários para eles nos ajudarem a sarar as nossas feridas e as nossas lutas contra o pecado. E, a julgar pelo que os autores do livro dizem, o processo não fica por aí. O objectivo final é o amadurecimento que nos leva a uma vida fascinante. A vida abundante da qual Jesus falou...

Não era fixe se cada igreja fosse um Room of Grace?

They may say I'm a dreamer, but I'm not the only one.

2.6.10

O sofá e a cruz


Tenho andado a pensar (sim, às vezes eu penso!)...

É possível que o desejo mais forte do ser humano seja o de alcançar conforto. Talvez eu esteja errado, mas parece-me que a sede de conforto é a principal motivação das nossas acções. Compramos tralha atrás de tralha em nome do conforto. Gerimos os nossos relacionamentos com base no que mais nos convém, no que menos atrapalha o nosso conforto. Mesmo as boas acções que fazemos são, muitas vezes, uma forma de afastar o desconforto que ameaça instalar-se na consciência.

Eu procuro o conforto muito mais do que qualquer outra coisa. Muito mais do que a liberdade, do que o amor e do que a verdade que, em teoria, são valores mais importantes para mim. Na prática, o conforto é o meu alimento e qualquer migalha que eu consiga adquirir torna-se, de imediato, o meu bem mais valioso. Mais do que um bem: é um vício. Este apego ao conforto está tão enraizado em mim e é tão inconsciente que raramente me lembro de o questionar. Nem sou capaz de identificar todos os reflexos quotidianos deste vício.

Por outro lado, eu gostava de ser cristão. E o cristianismo oferece uma resposta completa à necessidade de conforto: o meu conforto é a graça de Deus. A graça deve ser a âncora da minha vida, a única âncora. E é esta graça radical que nos concede liberdade. Liberdade no sentido proposto por Jesus, que tem um significado muito diferente da liberdade que a sociedade persegue. Ser livre passa por apagar a necessidade de vivermos para a nossa auto-satisfação... passa por abdicar do conforto. Afinal, foi isso que Jesus - o nosso maior exemplo - fez! Ele abdicou de todo o conforto para enfrentar uma sociedade que, no fim, revelou-se hostil à sua mensagem. Por fim, abdicou da própria vida, inaugurando assim um caminho alternativo para a vida do homem, um caminho que passa pela abnegação e no qual a motivação primária para as acções e palavras é a compaixão profunda pelos outros.

Impõe-se, por isso, a questão: até que ponto é que eu, enquanto cristão, devo abdicar intencionalmente do conforto oferecido pelo materialismo? Até que ponto é que eu devo lutar para alterar as motivações egocêntricas das minhas acções e dos meus relacionamentos? É certo que eu não tenho capacidade para me mudar por mim próprio. A mudança será sempre mais o resultado da transformação que eu permito que Deus faça em mim, do que o resultado do meu esforço pessoal. No entanto, devo estar receptivo a essa acção de Deus e participar nela activamente... provocá-la até!

Creio que Deus deseja moldar o carácter das pessoas, renovar a forma como lemos a vida e pôr em causa muita coisa que temos como certezas. Acredito nisto e, por um lado, quero que isto aconteça. O problema é que eu raramente levo a sério a proposta de vida radical que Jesus nos trouxe... O problema é que eu tento conciliar o sofazinho confortável com a cruz de Jesus. É aqui que está o busílis da questão e é isto que tem ocupado o meu pensamento ultimamente: será que o sofá e a cruz são compatíveis?

9.2.10

O profano e o sagrado

"E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo" Mateus 27:50-51

Não sei se isto faz algum sentido para vocês, mas houve uma fase da minha vida em que eu era dominado pela ideia absurda de que referir Deus e referir um assunto corriqueiro na mesma frase seria uma espécie de heresia. Guiava os meus pensamentos em duas estradas paralelas, não deixando que elas se intersectassem: uma para discorrer sobre Deus e sobre a fé e outra para todos os outros assuntos.

Tinha uma tendência para isolar o divino numa espécie de redoma que tentava preservar longe da contaminação das coisas banais da vida. Criei um compartimento inacessível e arrumei lá cuidadosamente tudo aquilo que dizia respeito à minha fé, não dando conta que esse compartimento, criado com um pudor tão exagerado e, até, disparatado, se tornou também inacessível a mim próprio. Tentava aceder a esse compartimento criando uma auto-imagem melhorada daquilo que eu era na realidade. Fingia uma santidade absoluta que não é real (porque a santidade é muito mais um caminho do que um estado), simulava incorruptibilidade, usava máscaras e artimanhas, vestia a pele dos fariseus que Jesus tanta vez criticou, e não dava conta que, agindo assim, estava a enganar-me a mim próprio.

Hoje percebo que separar Deus do resto da minha vivência não só é desnecessário, como é mesmo prejudicial. Deus não se quer relacionar com cópias melhoradas de nós próprios. Ele quer relacionar-se connosco tal como somos, por mais fúteis, patetas e incoerentes que sejamos.

O David que acredita que Jesus é a resposta para a maior ansiedade e necessidade do homem é o mesmo que é adepto do Benfica; é o mesmo que gosta de acompanhar de longe a vida política e de criar piadas sobre a incompetência dos políticos; é o mesmo que dança ao som de Jamiroquai e adormece ao som da Norah Jones; é o mesmo que gosta de uma cerveja fresca numa esplanada sob o entardecer de um dia de verão (enquanto se conversa sobre o amor de Deus, porque não?), é o mesmo que às vezes solta uma gargalhada quando Os Contemporâneos fazem humor que envolve a Bíblia, é o mesmo que tem períodos de desalento que o levam a questionar até mesmo aquilo que é inquestionável, é o mesmo que por vezes é atormentado pela dúvida sobre o certo e o errado, é o mesmo que, ainda que pretendendo servir os outros e viver uma vida altruísta, é levado com frequência a atitudes egocêntricas... e é o mesmo que Deus ama "furiosamente"!

A separação entre o sagrado e o profano é uma herança de outros tempos e de outras mentalidades. Uma herança de uma religiosidade beata que exclui a beleza da graça. A graça é bela porque é oferecida a homens e mulheres reais, autênticos, humanos, que se emocionam, que são incoerentes, às vezes fúteis, às vezes despropositados... como eu.

Mais uma vez digo: não sei se isto faz sentido para vocês. Temo que não tenha conseguido alinhar estas ideias de modo a dar-lhes algum nexo e torná-las perceptíveis. Mas eu sei o que estou a tentar transmitir e é algo que para mim é muito, mesmo muito, pertinente. Talvez faça um remake ou uma segunda parte deste texto brevemente.


adaptado de um texto escrito originalmente em Julho de 2009 para o meu antigo blogue e parcialmente inspirado numa frase bombástica do Blue Like Jazz, quando uma amiga de Don Miller lhe estava a contar como aconteceu a sua conversão a Cristo: "We would eat chocolates and smoke cigarettes and read the Bible, which is the only way to do it if you ask me. Don, the Bible is so good with chocolates."

30.11.09

Estado de graça

Dizia-me o Rui no Facebook a propósito dos mais recentes resultados do Benfica, em particular o empate em Alvalade: "Terá expirado o estado de graça do treinador do Benfica?" Talvez sim, talvez sim... como benfiquista espero que não, mas a verdade é que nos ultimos anos os treinadores do Benfica têm invariavelmente passado de um estado de graça para o estado de desgraça, por não corresponderem à sede de golos e de troféus dos adeptos.

Mas talvez esta frase do Rui dê o mote para uma comparação oportuna: o estado de graça de Jesus, o treinador, pode estar a terminar, mas o estado de graça de Jesus, o salvador, continua actual e eficaz. Os adeptos do Manchester United costumavam cantar "there's only one Ronaldo!", como quem diz que o futebol do Cristiano Ronaldo ofuscava o futebol do Ronaldo brasileiro. Os cristãos podem fazer uma adaptação deste cântico, "There's only one Jesus", como quem diz que a graça de Jesus, o salvador, eclipsa todos os troféus com os quais Jesus, o treinador, venha, eventualmente, a agraciar os benfiquistas. Mais do que sede de troféus, o mundo tem sede de graça. E Jesus é a fonte dessa graça!

Ao escrever este pensamento, vem-me à mente inevitavelmente Isaías 55:

"Ouçam! Alguém tem sede? Venha e beba mesmo que não tenha dinheiro! Venha, escolha o que quiser de vinho e leite - é tudo de graça! Porque é que gastam o dinheiro naquilo que não vos alimenta? Porque razão hão-de aplicar o produto do vosso trabalho em coisas que não vos servem de nada? Ouçam-me bem, e dir-vos-ei onde podem obter o melhor alimento que fortalecerá a vossa alma!"

Gosto especialmente dos últimos versículos do capítulo. Uma metáfora daquilo que acontece na vida daqueles que aceitam que a graça de Deus regue a sua alma sedenta:

"Tal como a chuva e a neve descem do céu sobre a terra para a regar, tornar produtiva a vegetação, dar vida à natureza, para que as sementes se reproduzam e haja pão para quem tem fome, assim é a minha palavra. Ela sai da minha boca e dá sempre fruto. Realizará sempre o que pretendo, e prosperará por toda a parte para onde a mande. Com alegria sairão, e em paz serão guiados. As montanhas e as colinas, as árvores dos campos, todo o mundo à vossa volta se alegrará e estará em festa. Onde antes havia espinhos crescerão faias; em lugar de sarças ver-se-ão murtas a desenvolver-se por toda a parte. Este milagre tornará muito grande o nome do Senhor e será um sinal para sempre."

(citações bíblicas retiradas da tradução contemporânea O Livro)

15.9.09

A Tua graça me basta

Conduzidos pelo nosso orgulho e pela nossa auto-imagem distorcida, é-nos muito difícil reconhecer que os nossos esforços para sermos bons de nada valem. Por muito que lutemos, estamos constantemente a errar. Como dizia Paulo, queremos fazer o bem, mas acabamos por fazer o mal. E, por vezes, somos abençoados com vislumbres de quem nós somos na realidade. Ao aproximar-me de Deus e ao contemplar a santidade de Jesus, reparo que ela contrasta com a minha vida. Por muito que eu tente brilhar, o meu brilho são trevas quando comparado com o esplendor de Jesus. Deparo-me então com os meus erros, com os meus fracassos, com a minha condição de pecador e permaneço, durante um segundo, estarrecido. Nesses momentos, sou plenamente convencido de que os meus actos não merecem o amor e o perdão como resposta e o terror apodera-se de mim. Sinto-me condenado. Sou levado a fazer minhas as palavras de Paulo: todos somos pecadores, mas eu sou o maior de todos. E é então que, como uma brisa suave no meio do calor mais tórrido, como chuva fresca no meio de uma terra sedenta, a graça entra no meu coração. Ouço uma voz dizer que "agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, nosso Senhor". Caio de joelhos aos pés daquele que sofreu a condenação pelos meus próprios erros. Lágrimas de alegria inundam-me a face e o meu coração transborda de gratidão. As palavras são inúteis. É impossível usá-las para expressar essa gratidão e o espanto que a graça provoca. Aos pés de Jesus, junto-me a uma multidão de maltrapilhos, gente que sabe que comete erros em catadupa, mas que aprendeu o que de mais importante há para aprender na vida: "a Tua graça me basta". E limitamo-nos a cantar todos juntos "Holy, holy, holy is the Lamb."


3.9.09

That's why it's called grace

Este blogue corre o risco de ser inundado por postes acerca da graça e eu corro o risco de me tornar num embaixador da graça de Deus (e aí está uma coisa na qual vale a pena arriscar). Quanto mais a observo à minha volta, quanto mais a experimento e quanto mais leio acerca dela, mais apaixonado estou! A ideia de que Deus anseia por nos receber nos Seus braços tal como estamos e que o Seu amor por nós permanece imutável e incondicional mesmo quando tropeçamos vezes sem conta é algo que permanentemente me faz confusão e me maravilha. Contraria a nossa tendência natural de negociar as coisas. Com Deus não há negócio possível.

Há de um lado um amor infinito e incondicional e do outro lado um pecador que necessita desse amor e que apenas tem que o aceitar. Há de um lado um Pai que espera ansiosamente pelo regresso do filho e que mal o vê ao longe corre ao seu encontro, abraça-o e faz uma festa e do outro lado um filho que fica estupefacto com a festa que o Pai lhe prepara depois de andar anos e anos a chafurdar na lama da vida. Há de um lado uma cruz com Deus feito homem a levar sobre si os nossos pecados e há aos pés da cruz um pecador contrito que, não podendo fazer nada para sair da condição de pecador com as suas próprias forças, repete apenas as palavras do publicano: "Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador." (Lucas 18:13)

Este vídeo ilustra bem aquilo que é a graça... e está disponível para todos, sem excepção, sem condições!


24.5.09

Literatura Cristã

Na quinta feira comprei alguns livros de escritores cristãos. Tenho tido vontade de ler acerca da graça e do amor de Deus. Deus é, em essência, amor. E essa mensagem é tão poucas vezes difundida nas igrejas... preferimos falar de outros atributos de Deus, que são importantes mas que, ao serem tão enfatizados, acabam por ofuscar a mensagem central da Bíblia: o amor de Deus, aquilo que Ele fez por nós e aquilo que Ele quer ser para nós. A sociedade em que vivemos e a forma como fomos educados leva-nos a centrar numa versão parcial do evangelho: realçamos as regras e criamos uma aura de dureza e de juíz implacável à volta de Deus, esquecendo a sua magnífica graça. E eu sinto que preciso de aprender mais acerca dessa graça. Por isso resolvi "investigar" a literatura cristã a esse respeito, começando por alguns escritores conceituados no meio evangélico. Comprei os seguintes livros:
  • O Evangelho Maltrapilho, de Brennan Manning
  • Graça Maravilhosa, de Philip Yancey
  • Muito mais do que palavras, de Philip Yancey
  • Surpreendido Pela Alegria, de C.S. Lewis
Nos próximos tempos estes livros devem dar origem a algumas reflexões aqui no blog e alguns excertos dos livros devem passar por aqui.

21.2.09

A banda sonora dos meus últimos dias



You gave me courage to believe
that all your goodness I will see
and if it had not been for you standing on my side
where would I be

If not for your goodness if not for your grace
I don't know where I would be today
if not for your kindness I never could say
I'm still standing
if not for your mercy if not for your love
I most likely would have given up
if not for your favor
I never could say
I'm still standing but by the grace of God

To you I lift my offering
and set my heart on higher things
for if it had not been for you standing on my side
where would I be

I'm still standing
I'm still standing
I'm still standing but by the grace of God

Letra de: Israel Houghton, Cindy Cruse Ratcliff

9.2.09

Novas Oportunidades

O programa Novas Oportunidades que o Sócrates tanto propagandeou, tem o nome plagiado. Na verdade, esse programa já existe há muito tempo e quem o fundou foi Deus. Ele é o Senhor das Novas Oportunidades. Ele não se cansa de nos amar. Não se cansa de nos perdoar repetidas vezes, quando cometemos ciclicamente os mesmos erros. Ele é como um Pai que levanta o seu filho quando ele está caído, de rastos. E faz isso tantas vezes quantas forem necessárias. Por vezes deixamos a vida seguir o seu curso com negligência. Deixamos as coisas simplesmente acontecerem, tomamos decisões erradas, quase sem dar por isso, e ficamos atolados numa vida que não é aquela que sonhámos. Até que um dia nos apercebemos que os nossos planos do passado, os nossos sonhos, os nossos propósitos, não foram atingidos e ficaram enterrados algures no nosso caminho. E é bom saber que, nesse dia, podemos deixar que Deus tome conta das coisas, podemos entregar-lhe de novo o leme da nossa vida e esperar que Ele reconstrua os planos e os sonhos. Podemos começar de novo, porque Ele dá-nos uma nova oportunidade. Esta é uma das características de Deus que mais me encanta. A graça de Deus é magnífica.

3.11.08

Ser Cristão II

Tentei resumir aqui o que significa ser cristão e, neste segundo post, pretendo desenvolver o primeiro ponto. Ser cristão começa por "reconhecer que precisamos de Deus nas nossas vidas e aceitar que é a morte de Jesus na cruz que permite a reconciliação do homem com Deus". A acção de Deus na vida das pessoas é catalisada por dois factores que se desenvolvem em nós, pelas circunstâncias da vida, quando somos honestos, quando reconhecemos que há um vazio no nosso coração que só pode ser preenchido por Ele. Os dois factores de que falo são a necessidade e a fé. 

Deus deu-nos as faculdades necessárias para tomarmos as nossas próprias decisões. Ele jamais obrigará uma pessoa a agir e a viver segundo a sua própria vontade. Ele nunca nos forçará a acreditar nele. Ele deu-nos o livre arbítrio e a consciência que nos pode ajudar a distinguir o certo do errado, o verdadeiro do falso. Daí que o primeiro passo para estabelecer uma relação com Deus deva ser dado pelo homem. Um passo motivado pela necessidade e movido por uma fé que, inicialmente, pode até ser frágil, como uma pequena semente, mas que, com o tempo, cresce e frutifica. Porque é o homem quem escolhe o seu caminho e é o homem quem escolhe abraçar ou rejeitar a fé. Existe uma frase feita que exprime bem aquilo que Deus deseja que aconteça com cada um de nós: "dá um passo na direcção de Deus e Ele correrá para ti!". 

Jesus contou diversas parábolas que podem ser aplicadas às nossas vidas e uma das mais conhecidas é a parábola do filho pródigo (Lucas 15). Um rapaz que pede ao pai a sua parte da herança para sair de casa e viver a vida desfrutando da riqueza efémera de que dispõe. Quando o dinheiro se esgota, o rapaz é abandonado e torna-se um miserável. Ganha a vida a guardar porcos, desejando alimentar-se com a comida dos animais. Até que percebe que em casa do pai qualquer empregado levava uma vida melhor do que aquela que ele estava a levar e decide voltar para casa, para rogar ao pai que o aceite como um empregado. O pai, que amava o filho com um amor imenso, no dia em que vê, ao longe, o seu filho a regressar a casa, corre ao encontro dele, abraço-o, aceita-o como filho e festeja o seu regresso com alegria. É isto que Deus quer fazer conosco. Ele ama-nos muito e espera ansioso que nós "voltemos a casa". Mas somos nós que temos que tomar essa decisão. E assim que Ele nos vir, ao longe, a dar um passo na Sua direcção, Ele vai correr para nós e vai aceitar-nos como seus filhos.

No entanto, tornar-mo-nos cristãos e sermos cristãos não é algo que se esgote num episódio esporádico de revelação espiritual. Não é um "acontecimento" ou uma "fase". É algo que deve passar a ser a essência da nossa vida. Cristão significa "seguidor de Cristo" e ser cristão significa ser a cada dia mais parecido com Jesus. É um processo contínuo, que deve durar toda a vida, durante o qual a nossa fé se vai aperfeiçoando e o nosso carácter vai sendo moldado por Deus. Mas não quero com isto dizer que o cristianismo implica uma luta individual contra nós próprios, em busca da tal perfeição quer a nível de fé, quer a nível de carácter. O cristianismo implica uma luta contra nós próprios, sim! Implica uma negação daquilo que somos, enquanto seres humanos falíveis e que cometem erros quase à mesma velocidade com que respiram. Mas essa luta não é individual: é uma luta que já está ganha à partida porque Deus está conosco e por Ele somos vencedores. «Mas a nossa vitória é total no meio de todas essas coisas, e isso devido a Cristo, o qual nos amou a ponto de morrer por nós.» (Romanos 8:37). Desde o momento em que damos o primeiro passo na Sua direcção e Ele corre para nós, Ele não nos abandona. O seu amor e a sua graça já fizeram na cruz aquilo que nós não podíamos fazer e esse amor e essa graça continuarão a fazer na nossa vida aquilo que não formos capazes. O cristianismo é a resposta para o vazio que existe no coração do homem porque implica uma vida acompanhada por Deus. Ele não nos deixa sozinhos: cuida de nós, sara os nossos corações tantas vezes magoados pela vida, leva-nos a realizar obras e sonhos que, pelas nossas próprias forças, nunca conseguiríamos realizar... 

Talvez alguém ao ler este texto se pergunte: "Ok, dizes que a fé um catalisador para a acção de Deus na vida do homem. Mas fé em quê, exactamente?". Pois quero ocupar as últimas linhas deste post a tentar responder a esta questão. Para tal, vou voltar à frase inicial: "... é a morte de Jesus na cruz que permite a reconciliação do homem com Deus." Esta é a base da fé do cristão: acreditar e aceitar a morte de Jesus como o ponto central da história. Há muitas outras doutrinas ou dogmas defendidos por alguns grupos cristãos. Mas a fé na morte de Jesus e na sua posterior ressurreição é a única condição necessária e suficiente para termos uma fé cristã. Há quem diga que se tivessemos que resumir a mensagem da Bíblia em poucas palavras, podíamos escolher o versículo João 3:16: «Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu único filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.» E se aceitarmos que Jesus é o caminho que nos leva ao conhecimento de Deus e acreditarmos que este versículo contém a essência da mensagem de Deus aos homens, então está dado o primeiro passo para sermos cristãos.

(Nota: é natural que nestes posts acabe por misturar um pouco os três tópicos de que falei aqui, porque o processo não é linear ao ponto de os poder tratar como assuntos distintos.)