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26.6.10

Answers



Even though we are not supposed to fully understand life
- instead, we are supposed to fully live it -
my heart is warmed by this idea
someday we will have answers...

"someday we'll know..."

20.5.10

Fé e ateísmo


Estou a ler um livro chamado "Não tenho fé suficiente para ser ateu". É um livro de Apologética Cristã no qual os autores procuram defender a racionalidade e plausibilidade da existência de Deus e da fé cristã usando evidências científicas e históricas e argumentos filosóficos. Devo adiantar que não acredito na possibilidade de se provar a existência de Deus recorrendo à lógica e à ciência e muito menos na possibilidade de verificar a veracidade do cristianismo. A existência de mistérios que o ser humano nunca será capaz de resolver faz parte da minha visão romântica da vida e não estou disposto a abdicar dela. Podemos divagar sobre os mistérios da ciência, da filosofia e da teologia, podemos recolher evidências que nos ajudem a entender esses mistérios e a conviver com eles, mas não creio que devamos esperar respostas para todas as questões. Se tal fosse possível, a fé seria desnecessária e, perdendo a fé, perderíamos um elemento essencial da vida cristã. Acredito num Deus infinito, absoluto e eterno e o ser humano tem uma mente finita, relativa (isto é, sujeita a influências externas) e limitada pelo tempo. O salto que nos leva a acreditar num ser supremo infinitamente maior que nós envolve necessariamente fé.

Não estou portanto a ler o livro à espera de encontrar uma demonstração inequívoca da existência de Deus. Estou a ler o livro porque é uma obra de Apologética actual, bem fundamentada e perspicaz e o bichinho da apologética já me andava a morder há uns tempos. Há uns anos atrás seria impensável eu dizer isto, mas a verdade é que gosto de filosofia. E uma parte da apologética é, sobretudo, filosofia cristã. Gosto de perceber as objecções que os ateus levantam aos teístas e como é que estes últimos as podem ultrapassar. E a verdade é que há evidências que apontam fortemente para a existência de um ser inteligente que planeou o universo.

Um dos objectivos dos autores é convencer que é necessária mais fé para não acreditar em Deus do que para acreditar em Deus. E eu estou a ficar convencido. Posso entender até certo ponto a posição agnóstica. Mas começo a ter muita dificuldade em entender o ateísmo exacerbado de algumas pessoas.

Além disso o livro contém argumentos que se tornam deliciosamente divertidos para uma mente tão dedutiva como a minha. Por exemplo: suponhamos que o universo sempre existiu, isto é, tem um passado infinito; então hoje não estaríamos aqui. Porquê? Porque o universo ainda não tinha chegado ao presente. Aliás, qualquer que fosse o momento bem definido no tempo, o universo nunca lá chegaria. Vamos pensar nisto de outra forma. Consideremos o conjunto Z dos números inteiros e atribuamos a cada dia (ou a cada segundo, ou cada ano, ou o que quisermos) um inteiro. Suponhamos que hoje é o dia zero. Se o universo sempre tivesse existido, a contagem para trás seria infinita. Mas começando a contagem no "-infinito", nunca chegaríamos ao dia zero. Confusos? Pois, eu também! Não posso dizer que fico completamente convencido por este argumento porque a minha mente tão limitada ameaça entrar em curto-circuito sempre que toco no infinito. Pensar demasiado neste assunto pode ter consequências graves, como no caso do matemático George Cantor. Mas pensar um bocadinho nestas coisas é extremamente divertido!!

24.3.10

Should christians use their brains?


«Caleb left the office [Jeff's office, his pastor]. After he walked out through the church's front doors, he stopped under the archway and rubbed his temples. He was surprised to find himself shaking. Am I crazy? Jeff was his mentor and friend, and he had relied on his support and encouragement over the past couple of years. It had sustained him. But... he doesn't understand me anymore. It wasn't safe for him to bring up questions. Emptiness echoed in him like a late-night leaky faucet. His chest tightened. His eyes stung. He bowed his head and shuffled slowly through the drizzle to his parked car.»

A foto foi encontrada no grupo do facebook que referi num texto anterior: "I'm a christian and I'm proud." (Parece que há quem se esteja a divertir usando o grupo para fazer propaganda anti-cristã e esta foto serve muito bem esse propósito). O texto é um excerto de um livro que estou a ler, chamado True Story: A Christianity Worth Believing in. Em linhas gerais o livro é uma história inventada sobre um jovem cristão, chamado Caleb, que começa a questionar alguns aspectos da fé. Põe em causa o cerne do cristianismo que lhe ensinaram e mesmo o objectivo do evangelho. O bacano sente que na sua igreja é incompreendido e que não há abertura para colocar as questões que lhe assaltam a mente. Acaba por entrar em contacto com uma pessoa que o conduz num processo de redescoberta da fé. Uma fé com raízes mais sólidas, um evangelho que aponta para uma nova visão do mundo e para uma missão global que torna o cristianismo relevante no caos em que vivemos.

Encontro nesta história vestígios da minha própria biografia. Também tenho passado por um processo de redescoberta da fé. Cresci com dificuldade em me identificar com uma grande parte dos cristãos adultos que conhecia. Sempre me pareceu que em muito do que nós fazíamos na igreja não batia a bota com a perdigota. Sentia dificuldade em carregar a bagagem adicional à fé, composta por regras, costumes estranhos, tradições sem sentido e doutrinas confusas. Passei por muitos conflitos mentais e por uma fase de muita saturação. Felizmente ao longo do tempo conheci pessoas, tive conversas, vivi experiências e li livros que foram pavimentando o caminho da redescoberta da fé que eu mais tarde percorri. Hoje estou convicto que muita da bagagem adicional que me obrigavam a carregar é desnecessária e, até, prejudicial. Aos poucos, às vezes sorrateiramente, outras vezes com uma ponta de rebeldia que considero saudável, vou mandando essa bagagem às malvas!

É provável que muita gente da minha geração se identifique com a história do Caleb. Não fomos educados para a reflexão e sentimos que não há tempo e espaço para expor dúvidas e levantar questões. Diria até que muitos de nós fomos educados para ter medo das nossas próprias ideias... e por preguiça cedemos a esse medo! É mais fácil ir com a corrente! (E esta análise tanto é válida para cristãos como para não cristãos, basta substituir o contexto da igreja pelo da sociedade e da cultura!)

É mais fácil fazer o que sempre fizemos, pensar o que sempre pensámos, viver como sempre vivemos. É cómodo. Contudo a culpa não é só nossa. É uma questão de educação, de cultura e talvez também de conflito de gerações. Por ignorância, cobardia ou por razões ainda mais obscuras, não somos encorajados a pensar. Pelo contrário. Somos encorajados a tomar por empréstimo as ideias dos outros, a fé dos outros, os argumentos dos outros. Nos casos extremos, somos cobaias de uma lavagem cerebral efectuada por aqueles que têm poder sobre nós.

Infelizmente, às vezes a lavagem cerebral é feita através dos púlpitos. Criam-se rebanhos de ovelhas fanáticas que dizem "amééééé" a tudo. É o que eu chamo de "cristianismo" (obviamente entre aspas) castrador de identidades. E quando uma ovelha tem dúvidas é assaltada por um desconforto tão grande que mais vale reprimir todas as questões e lidar com os dilemas individualmente... até atingir o ponto de saturação. A foto lá de cima exemplifica o tipo de fundamentalismo promovido pelas igrejas mais extremistas. (Convém dizer que não conheço nenhuma igreja assim. Uma (pequena?) parte das igrejas evangélicas que conheço poderá ainda ter vestígios deste género de fundamentalismo, mas nada tão declarado como esta triste foto sugere.)

Reparem agora no contraste entre a foto lá de cima e a exortação que Paulo deu aos cristãos de Roma (exortação essa que, por estes dias, é um dos meus versículos preferidos): "Não se conformem com os padrões e costumes deste mundo, mas sejam como gente diferente, através da renovação da vossa maneira de pensar" Romanos 12:2

Pensar não tem nada de anti-cristão. Pelo contrário. O cristianismo deve estar na vanguarda do pensamento livre. Livre dos raciocínios viciosos que nos querem impingir, venham eles dos pulpitos, das tv's, dos professores, dos livros supostamente eruditos, etc. Livre das argumentações esfarrapadas que vigoram na sociedade, livre dos preconceitos que nos querem controlar... É esta a exortação de Paulo: não se conformem com a forma como as pessoas à vossa volta pensam a vida! Sejam diferentes! Pensem diferente! As igrejas devem promover tempo e espaço para as pessoas reflectirem, colocarem questões, porem em causa os pressupostos da vida e da fé. Construir passo a passo a fé (ou reconstruir) é um processo frutífero e que faz todo o sentido no mundo confuso em que vivemos. Acredito que, quando esse processo é motivado pelo desejo sincero de conhecer a verdade, é o próprio Deus que conduz as pessoas às respostas que elas precisam.

Para os meus amigos que não são cristãos, a minha mensagem é esta: ser cristão não é sinónimo de ser fanático e aceitar sem questionar tudo aquilo que nos querem enfiar no cérebro. No cristianismo há espaço para a dúvida e para as perguntas. Há espaço para pessoas que não sabem tudo e que discordam daquilo que outros cristãos dizem. Porque, ao contrário do que diz o cartaz da foto, ao contrário do estereótipo através do qual os cristãos são julgados, um cristão pode e deve ser "um free thinker".

12.8.09

Teenstreet, LiFE

LiFE | Česká Republika from LiFE | Europe on Vimeo.



Um dos momentos mais marcantes do Teenstreet foi conhecer a história da Jessica, uma adolescente de 15 anos que vive na República Checa. A forma como ela tenta viver a sua fé é inspiradora tendo em conta que não conta com o apoio de cristãos na sua escola e de adolescentes na sua igreja... Nós estamos sempre prontos a inventar desculpas para a nossa inacção e conformismo. Por nos sentirmos incompreendidos, acabamos por nos fechar num mundo só nosso e não dar a conhecer aos outros a nossa fé. Isto é ainda mais visível na fase da adolescência, durante a qual a nossa maior preocupação é cair nas boas graças dos amigos. A Jessica podia agarrar-se a desculpas muito mais legítimas do que as nossas. Em vez disso, ela permanece fiel à sua missão de falar de Cristo e está a tentar viver a sua fé na sua cidade, com todas as dificuldades inerentes.

11.8.09

Teenstreet, o sumário


Durante o Teenstreet os adolescentes foram desafiados a viver uma fé ousada e radical. O versículo que deu o mote para o Teenstreet foi Hebreus 11:6: "Ora sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima dele acredite que Ele existe e que é galardoador dos que O buscam." Aprendemos que viver pela fé é um ingrediente indispensável para que a nossa relação com Deus se desenvolva. Viver pela fé implica centrar a nossa atenção em Jesus e naquilo que Ele pode fazer nas nossas vidas e nas vidas das pessoas à nossa volta, em vez de nos centrarmos em nós próprios, nas nossas preocupações e nos nossos medos. Viver pela fé implica ver os obstáculos segundo a perspectiva de Deus, em vez de olharmos para eles através das nossas limitações, que são como lentes que distorcem a realidade. O problema de muitos de nós, enquanto cristãos, é que a nossa fé não é suficiente para deixar que Ele tome as rédeas da nossa vida, em todas as áreas, em todos os momentos... E por isso nunca passamos para a outra dimensão da relação com Deus: a grande aventura da fé! Depender absolutamente dele, viver numa atitude de expectativa constante daquilo que Deus pode fazer através de nós, não pelos nossos méritos ou capacidades, mas pela força, coragem e sabedoria que provêm dele. A minha oração é que os teens (e os monitores e voluntários e staff) possam agora viver essa grande aventura, com uma confiança total em Deus, com uma fé mais irreverente e, até, mais louca!

3.11.08

Ser Cristão II

Tentei resumir aqui o que significa ser cristão e, neste segundo post, pretendo desenvolver o primeiro ponto. Ser cristão começa por "reconhecer que precisamos de Deus nas nossas vidas e aceitar que é a morte de Jesus na cruz que permite a reconciliação do homem com Deus". A acção de Deus na vida das pessoas é catalisada por dois factores que se desenvolvem em nós, pelas circunstâncias da vida, quando somos honestos, quando reconhecemos que há um vazio no nosso coração que só pode ser preenchido por Ele. Os dois factores de que falo são a necessidade e a fé. 

Deus deu-nos as faculdades necessárias para tomarmos as nossas próprias decisões. Ele jamais obrigará uma pessoa a agir e a viver segundo a sua própria vontade. Ele nunca nos forçará a acreditar nele. Ele deu-nos o livre arbítrio e a consciência que nos pode ajudar a distinguir o certo do errado, o verdadeiro do falso. Daí que o primeiro passo para estabelecer uma relação com Deus deva ser dado pelo homem. Um passo motivado pela necessidade e movido por uma fé que, inicialmente, pode até ser frágil, como uma pequena semente, mas que, com o tempo, cresce e frutifica. Porque é o homem quem escolhe o seu caminho e é o homem quem escolhe abraçar ou rejeitar a fé. Existe uma frase feita que exprime bem aquilo que Deus deseja que aconteça com cada um de nós: "dá um passo na direcção de Deus e Ele correrá para ti!". 

Jesus contou diversas parábolas que podem ser aplicadas às nossas vidas e uma das mais conhecidas é a parábola do filho pródigo (Lucas 15). Um rapaz que pede ao pai a sua parte da herança para sair de casa e viver a vida desfrutando da riqueza efémera de que dispõe. Quando o dinheiro se esgota, o rapaz é abandonado e torna-se um miserável. Ganha a vida a guardar porcos, desejando alimentar-se com a comida dos animais. Até que percebe que em casa do pai qualquer empregado levava uma vida melhor do que aquela que ele estava a levar e decide voltar para casa, para rogar ao pai que o aceite como um empregado. O pai, que amava o filho com um amor imenso, no dia em que vê, ao longe, o seu filho a regressar a casa, corre ao encontro dele, abraço-o, aceita-o como filho e festeja o seu regresso com alegria. É isto que Deus quer fazer conosco. Ele ama-nos muito e espera ansioso que nós "voltemos a casa". Mas somos nós que temos que tomar essa decisão. E assim que Ele nos vir, ao longe, a dar um passo na Sua direcção, Ele vai correr para nós e vai aceitar-nos como seus filhos.

No entanto, tornar-mo-nos cristãos e sermos cristãos não é algo que se esgote num episódio esporádico de revelação espiritual. Não é um "acontecimento" ou uma "fase". É algo que deve passar a ser a essência da nossa vida. Cristão significa "seguidor de Cristo" e ser cristão significa ser a cada dia mais parecido com Jesus. É um processo contínuo, que deve durar toda a vida, durante o qual a nossa fé se vai aperfeiçoando e o nosso carácter vai sendo moldado por Deus. Mas não quero com isto dizer que o cristianismo implica uma luta individual contra nós próprios, em busca da tal perfeição quer a nível de fé, quer a nível de carácter. O cristianismo implica uma luta contra nós próprios, sim! Implica uma negação daquilo que somos, enquanto seres humanos falíveis e que cometem erros quase à mesma velocidade com que respiram. Mas essa luta não é individual: é uma luta que já está ganha à partida porque Deus está conosco e por Ele somos vencedores. «Mas a nossa vitória é total no meio de todas essas coisas, e isso devido a Cristo, o qual nos amou a ponto de morrer por nós.» (Romanos 8:37). Desde o momento em que damos o primeiro passo na Sua direcção e Ele corre para nós, Ele não nos abandona. O seu amor e a sua graça já fizeram na cruz aquilo que nós não podíamos fazer e esse amor e essa graça continuarão a fazer na nossa vida aquilo que não formos capazes. O cristianismo é a resposta para o vazio que existe no coração do homem porque implica uma vida acompanhada por Deus. Ele não nos deixa sozinhos: cuida de nós, sara os nossos corações tantas vezes magoados pela vida, leva-nos a realizar obras e sonhos que, pelas nossas próprias forças, nunca conseguiríamos realizar... 

Talvez alguém ao ler este texto se pergunte: "Ok, dizes que a fé um catalisador para a acção de Deus na vida do homem. Mas fé em quê, exactamente?". Pois quero ocupar as últimas linhas deste post a tentar responder a esta questão. Para tal, vou voltar à frase inicial: "... é a morte de Jesus na cruz que permite a reconciliação do homem com Deus." Esta é a base da fé do cristão: acreditar e aceitar a morte de Jesus como o ponto central da história. Há muitas outras doutrinas ou dogmas defendidos por alguns grupos cristãos. Mas a fé na morte de Jesus e na sua posterior ressurreição é a única condição necessária e suficiente para termos uma fé cristã. Há quem diga que se tivessemos que resumir a mensagem da Bíblia em poucas palavras, podíamos escolher o versículo João 3:16: «Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu único filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.» E se aceitarmos que Jesus é o caminho que nos leva ao conhecimento de Deus e acreditarmos que este versículo contém a essência da mensagem de Deus aos homens, então está dado o primeiro passo para sermos cristãos.

(Nota: é natural que nestes posts acabe por misturar um pouco os três tópicos de que falei aqui, porque o processo não é linear ao ponto de os poder tratar como assuntos distintos.)

22.10.08

Pensamentos #1 - Acreditar

Eu acredito no Sol
mesmo quando ele não está a brilhar.
Eu acredito no amor
mesmo quando não o sinto.
Eu acredito em Deus
mesmo quando Ele está em silêncio.


(escrito na parede de um campo de concentração)