Conduzidos pelo nosso orgulho e pela nossa auto-imagem distorcida, é-nos muito difícil reconhecer que os nossos esforços para sermos bons de nada valem. Por muito que lutemos, estamos constantemente a errar. Como dizia Paulo, queremos fazer o bem, mas acabamos por fazer o mal. E, por vezes, somos abençoados com vislumbres de quem nós somos na realidade. Ao aproximar-me de Deus e ao contemplar a santidade de Jesus, reparo que ela contrasta com a minha vida. Por muito que eu tente brilhar, o meu brilho são trevas quando comparado com o esplendor de Jesus. Deparo-me então com os meus erros, com os meus fracassos, com a minha condição de pecador e permaneço, durante um segundo, estarrecido. Nesses momentos, sou plenamente convencido de que os meus actos não merecem o amor e o perdão como resposta e o terror apodera-se de mim. Sinto-me condenado. Sou levado a fazer minhas as palavras de Paulo: todos somos pecadores, mas eu sou o maior de todos. E é então que, como uma brisa suave no meio do calor mais tórrido, como chuva fresca no meio de uma terra sedenta, a graça entra no meu coração. Ouço uma voz dizer que "agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, nosso Senhor". Caio de joelhos aos pés daquele que sofreu a condenação pelos meus próprios erros. Lágrimas de alegria inundam-me a face e o meu coração transborda de gratidão. As palavras são inúteis. É impossível usá-las para expressar essa gratidão e o espanto que a graça provoca. Aos pés de Jesus, junto-me a uma multidão de maltrapilhos, gente que sabe que comete erros em catadupa, mas que aprendeu o que de mais importante há para aprender na vida: "a Tua graça me basta". E limitamo-nos a cantar todos juntos "Holy, holy, holy is the Lamb."
15.9.09
A Tua graça me basta
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David
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2:30 p.m.
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5.9.09
Sete Vidas

«Não há maior amor do que este, de dar alguém a sua própria vida pelos seus amigos.»
João 15:13Acabei há pouco de ver o filme Sete Vidas. É um filme tocante, poderoso, com uma história em que a tragédia e a compaixão se sobrepõem uma à outra e, no fim, ficamos com um gosto amargo na alma, sem perceber qual delas venceu... Na minha opinião de leigo, as actuações de Will Smith, Rosario Dawson e Woody Harrelson são perfeitas. É daqueles filmes que compensa ver, porque o resultado não são duas horas de vida perdidas, mas sim um coração sensibilizado.
É impossível resistir às comparações entre aquilo que Ben Thomas (Will Smith) faz no filme e aquilo que Jesus fez por nós.
(Aviso: aquilo que digo adiante pode ser considerado spoiler)
Ben Thomas sente-se o responsável pela morte de sete pessoas num acidente de viação, vive uma vida destruída pelo sentimento de culpa e, como tentativa de expiação dos seus pecados, procura ajudar pessoas em situações desesperadas, fazendo-se passar por inspector federal e concedendo perdão das suas dívidas. Ao mesmo tempo, prepara a sua morte, deixando tudo aquilo que tem às pessoas que procura ajudar: a sua casa, os seus bens... os seus órgãos. A certa altura, apaixona-se por Emily Posa (Rosario Dawson), uma mulher com um problema congénito no coração que, segundo os médicos, tem apenas alguns meses de vida. A única hipótese é um transplante de coração. Ben Thomas decide suicidar-se sob condições controladas de tal forma que o seu coração possa ser utilizado para salvar Emily.
Jesus fez algo parecido. Ele apaixonou-se por nós de tal forma que doou o seu próprio coração para substituir os nossos corações sujos e falíveis. Ele amou-nos de tal maneira que doou os seus próprios olhos para nós, que estavamos cegos, podermos agora ver. Nós, por causa do pecado, estavamos condenados à morte, mas Ele morreu para nos dar uma vida abundante e eterna. No entanto, há uma diferença fundamental entre aquilo que fez Jesus e aquilo que Ben Thomas faz no filme Sete Vidas: ao contrário de Ben, Jesus não deu tudo o que tinha para se redimir da sua culpa, mas sim para redimir a minha culpa... a tua culpa.
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David
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5:02 p.m.
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3.9.09
That's why it's called grace
Este blogue corre o risco de ser inundado por postes acerca da graça e eu corro o risco de me tornar num embaixador da graça de Deus (e aí está uma coisa na qual vale a pena arriscar). Quanto mais a observo à minha volta, quanto mais a experimento e quanto mais leio acerca dela, mais apaixonado estou! A ideia de que Deus anseia por nos receber nos Seus braços tal como estamos e que o Seu amor por nós permanece imutável e incondicional mesmo quando tropeçamos vezes sem conta é algo que permanentemente me faz confusão e me maravilha. Contraria a nossa tendência natural de negociar as coisas. Com Deus não há negócio possível.
Há de um lado um amor infinito e incondicional e do outro lado um pecador que necessita desse amor e que apenas tem que o aceitar. Há de um lado um Pai que espera ansiosamente pelo regresso do filho e que mal o vê ao longe corre ao seu encontro, abraça-o e faz uma festa e do outro lado um filho que fica estupefacto com a festa que o Pai lhe prepara depois de andar anos e anos a chafurdar na lama da vida. Há de um lado uma cruz com Deus feito homem a levar sobre si os nossos pecados e há aos pés da cruz um pecador contrito que, não podendo fazer nada para sair da condição de pecador com as suas próprias forças, repete apenas as palavras do publicano: "Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador." (Lucas 18:13)
Este vídeo ilustra bem aquilo que é a graça... e está disponível para todos, sem excepção, sem condições!
Há de um lado um amor infinito e incondicional e do outro lado um pecador que necessita desse amor e que apenas tem que o aceitar. Há de um lado um Pai que espera ansiosamente pelo regresso do filho e que mal o vê ao longe corre ao seu encontro, abraça-o e faz uma festa e do outro lado um filho que fica estupefacto com a festa que o Pai lhe prepara depois de andar anos e anos a chafurdar na lama da vida. Há de um lado uma cruz com Deus feito homem a levar sobre si os nossos pecados e há aos pés da cruz um pecador contrito que, não podendo fazer nada para sair da condição de pecador com as suas próprias forças, repete apenas as palavras do publicano: "Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador." (Lucas 18:13)
Este vídeo ilustra bem aquilo que é a graça... e está disponível para todos, sem excepção, sem condições!
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David
à(s)
5:21 p.m.
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27.8.09
A perspectiva de Deus
«One day, he said to me, "Jesus never talked to a prostitute." I immediately went on the offensive: "Oh, sure he did," and whipped out my sword of the Spirit and got ready to spar. Then he just calmly looked me in the eye and said, "Listen, Jesus never talked to a prostitute because he didn't see a prostitute. He just saw a child of God he was madly in love with". I lost the debate that night. When we have new eyes, we can look into the eyes of those we don't even like and see the One we love. We can see God's image in everyone we encounter. As Henri Nouwen puts it, "In the face of the opressed I recognize my own face, and in the hands of the oppressor I recognize my own hands. Their flesh is my flesh, their blood is my blood, their pain is my pain, their smile is my smile." We are made of the same dust. We cry the same tears. No one is beyond redemption. And we are free to imagine a revolution that sets both the oppressed and the oppressors free.»
Shane Claiborne, The Irresistible RevolutionPai, perdoa-me pela minha insensibilidade, perdoa-me pela minha falta de Amor. Ensina-me a olhar para os outros segundo a tua perspectiva, livre de todos os preconceitos e nunca me esquecendo que aos teus olhos somos todos igualmente pecadores e igualmente belos e amados...
25.8.09
Shane Claiborne em vídeo
Uma parte daquilo que o Shane diz em The Irresistible Revolution está contida na mensagem que ele dá neste vídeo.
24.8.09
The Irresistible Revolution
The Irrestible Revolution é um dos livros que ando a ler neste momento. Tem como subtítulo living as an ordinary radical e o autor é um tal de Shane Claiborne. O livro é potencialmente perturbador porque o Shane confronta-nos com várias discrepâncias entre aquilo que a Bíblia diz e aquilo que os cristãos fazem. Mesmo eu, que tenho uma tendência (às vezes exagerada) para não aceitar de mão beijada as interpretações clássicas e tradicionais que se fazem das passagens bíblicas, tenho tido dificuldade em digerir muito daquilo que o Shane escreveu. No seu livro, ele põe em evidência o conformismo e a falta da amor pelo próximo da Igreja. Aponta-nos o dedo de uma forma construtiva e o que é interessante é que a mensagem do Shane não é oca, não é incoerente com a sua vida. Ele é um seguidor de Cristo ousado e radical que decidiu não se conformar com este mundo, mas sim viver uma vida dedicada a amar. Todos nós podemos dizer que vivemos para amar os outros. É bonito, soa bem e parece ser algo que deve andar na boca dos cristãos. No entanto, do falar ao viver a distância é enorme. O Shane percorreu essa distância. Percorreu-a com os sem-abrigo de Filadélfia nos USA e com os leprosos da Índia, onde trabalhou nas missões da Madre Teresa. Percorreu-a ao ir para o Iraque para se opor à guerra e para servir os iraquianos e percorreu-a pela maneira como vive no dia-a-dia, ao serviço dos outros. Para perceberem melhor o tipo de ordinary radical que ele é e que ele diz que todos nós, cristãos, devemos ser, leiam o livro. (Tenho uma versão inglesa e não sei se existe em português. Posso emprestar o meu depois de o ler e reler, se for preciso.) Às tantas o Shane conta que um dos seus amigos um dia chegou ao pé dele e lhe disse que ía deixar o cristianismo. O Shane ficou espantado e confuso porque conhecia o seu amigo e sabia que tinha uma fé radical, tal como ele. O amigo passou a explicar: «Vou deixar o cristianismo e vou passar a seguir Jesus.» A pergunta inquietante que este livro levanta é mesmo esta: e se a maneira como nós estamos a viver o cristianismo não corresponde àquilo que é, na verdade, seguir Jesus?
Para já o livro está a ter vários efeitos colaterais em mim, obrigando-me a rever não só a minha concepção do propósito que deve nortear a vida do cristão mas também as minhas posições face à política, à economia, ao consumismo e à pobreza.
Para já o livro está a ter vários efeitos colaterais em mim, obrigando-me a rever não só a minha concepção do propósito que deve nortear a vida do cristão mas também as minhas posições face à política, à economia, ao consumismo e à pobreza.
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