13.10.10

A multidão

Porque a salvação é pela graça através da fé, creio que entre a incontável multidão em pé diante do trono e do Cordeiro, trajando vestes brancas e trazendo folhas de palmeira nas mãos (Ap 7:9), verei uma prostituta do Kit-Kat Ranch em Carson City, Nevada, que com lágrimas nos olhos disse-me que não tinha sido capaz de encontrar outro emprego para sustentar o seu filho de dois anos e meio. Verei a mulher que fez um aborto e é assombrada pela culpa e pelo remorso, mas que fez o melhor que podia diante de alternativas cruéis; o homem de negócios assediado pelas dívidas que vendeu sua integridade numa série de transacções desesperadas; o clérigo inseguro viciado em aprovação, que nunca desafiou sua congregação do púlpito e ansiava por amor incondicional; o adolescente que foi molestado pelo próprio pai e agora vende o seu corpo nas ruas e que, antes de dormir a cada noite depois do seu último "michê", sussurra o nome do Deus desconhecido a respeito do qual ouviu falar na Escola Dominical; aquela pessoa que por décadas comeu e se lambuzou, quebrou cada lei de Deus e dos homens, chafurdou na lascívia e violentou a terra, e converteu-se no seu leito de morte.

"Mas como?", perguntamos. A voz então diz: "[Eles] lavaram as suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro".

Ali estão eles. Ali estamos nós - a multidão que queria ser fiel, que por vezes foi derrotada, maculada pela vida e vencida pelas provações, trajando as roupas ensanguentadas pelas tribulações da vida, mas, diante de tudo isso, permaneceu apegada à fé.

Meus amigos, se isso não lhes parece boa nova, vocês nunca chegaram a compreender o evangelho da graça.

O Evangelho Maltrapilho
Brennan Manning

A graça é o pilar da minha vida. É dela que eu dependo. É sob o fundamento da graça que eu construo o meu futuro e a minha fé. De vez em quando sinto necessidade de revisitar os arautos da graça. Os livros de Brennan Manning e Philip Yancey que me ajudaram a compreender e a mergulhar no evangelho da graça. Nos últimos dias senti essa necessidade... E quando volto a ler acerca da graça radical do Pai fico sempre surpreendido. Deus só pode ser um Deus muito fixe para amar tanto assim um maltrapilho como eu.

17.9.10

Como já notaram, não tenho escrito nada. E é provável que continue sem escrever nos próximos tempos. Agora é só matemática, gbu, matemática, ler, matemática, futebol, matemática, igreja, matemática, facebook, matemática... Percebem a ideia?

Este ano vou ter muito trabalhinho no gbu. Foi preciso chegar ao doutoramento para me envolver mesmo a sério com o gbu. Fui mesmo parvo. Mas estou muito feliz por ter esta nova oportunidade! Só que o trabalho do doutoramento aperta e com todas estas coisas sobra-me pouco tempo. Estou a aprender a dizer não às pessoas quando elas me pedem coisas que ocupam muito tempo. Custa bué. Mas o tempo não estica e há que ter prioridades. Quem me dera ser como o Marcelo Rebelo de Sousa e dormir só 4 ou 5 horas por noite...

Por falta de tempo, o blogue dificilmente será actualizado com frequência. Quando houver coisas relevantes para partilhar e tempo para escrever, aparecerão aqui coisas novas. Mas, por agora, escrever não é uma prioridade.

Na falta dos meus textos, sugiro-vos que passem pelos sites que leio habitualmente e que estão aqui listados à direita. Em particular, sugiro que leiam as excelentes crónicas que a Bianca tem escrito sobre as suas aventuras na Guiné.

Até breve (ou talvez não!) =)

7.9.10

O lume



«E esse lume já ninguém pode nunca apagar dentro de ti»

Por estes dias é isto que ouço. E ao mesmo tempo estou a tentar perceber se é por masoquismo ou é por convicção que ando a ouvir isto repetidamente...

6.9.10

To be a christian in a postmodern world

Gosto tanto disto:

«How are you to adress this world with the gospel of Jesus? You cannot just hurl true doctrine at it. You will either crush people or drive them away. That is actually not a bad thing, because mission and evangelism were never actually meant to be a matter of throwing doctrine at people's heads. They work in a far more holistic way: by praxis, symbol and story as well as what we think of, in a somewhat modernist way, as "straightforward" exposition of "truth". I am reminded, too, of the power of symbolic praxis to go beyond words when I think of one of the greatest ballerinas of all time. After one of her great performances somebody had the temerity to ask her what the dance meant. Her reply was simple and speaks volumes to us as we consider mission in the postmodern world. "If I could have said it," she said, "I wouldn't have needed to dance it."
(...)
We must therefore get used to a mission that includes living the true Christian praxis. Christian praxis consists in the love of God in Christ being poured out in us and through us. If this is truly happening, it is not damaged by the postmodern critique, the hermeneutic of suspicion. »

by N.T.Wright in The Challenge of Jesus

1.9.10

Redescobrir Jesus


"The return of YHWH to Zion, and the Temple-theology which it brings into focus, are the deepest keys and clues to gospel christology. Forget the "titles" of Jesus, at least for a moment; forget the attempts of some well-meaning Christians to make Jesus of Nazareth conscious of being the second person of the Trinity; forget the arid reductionism that some earnest liberal theologians have produced by way of reaction. Focus, instead, on a young Jewish prophet telling a story about YHWH returning to Zion as a judge and redeemer, and then embodying it by riding into the city in tears, symbolizing the Temple's destruction and celebrating the final exodus. I propose, as a matter of history, that Jesus of Nazareth was conscious of a vocation: a vocation, given him by the one he knew as "father", to enact in himself what, in Israel's scriptures, God had promised to accomplish all by himself. He would be the pillar of cloud and fire for the people of the new exodus. He would embody in himself the returning and redeeming action of the covenant God."

by N.T.Wright in The Challenge of Jesus

Ando a ler este livro e tenho que confessar que é das coisas mais pesadas que já li. Mas recompensa! É a contextualização dos evangelhos aprofundada com muito rigor, sem fugir às questões que os pensadores seculares levantam, mas também sem fugir à Bíblia. Nalguns pontos o autor toca em questões muito delicadas. Por exemplo, o excerto que transcrevi aparece num capítulo cujo objectivo é responder à pergunta: será que Jesus, o homem, tinha ou não a consciência de que era Deus? A proposta de N.T.Wright para responder a esta questão era capaz de chocar muito boa gente. Mas pelo menos está bem fundamentada, é coerente, dá uma perspectiva refrescante do evangelho e foge ao simplismo com que habitualmente tratamos estas questões nas igrejas.

Se lermos as palavras de Jesus e interpretarmos os seus actos à luz da religião judaica do 1º século, passamos a conhece-lo melhor. A contextualização não resulta em teologia barata e irrelevante (eu não gostava de teologia porque não lhe reconhecia relevância e, de facto, há muita teologia irrelevante). A contextualização resulta em teologia que nos transporta até à raiz do evangelho, até à essência da mensagem de Jesus. E há medida que vou percebendo essa mensagem, mais fascinante Jesus se torna e mais apaixonado estou por Ele!

25.8.10

The Room of Grace

«Resolving sin is only the starting point of life in The Room of Grace. God's final objective for us is not resolving sin or "getting well". God's ultimate goal is maturing us into who he says we are, and then releasing us into the dreams he designed for us before the world began. That's where all of this is going. That's what has awakened your hope When we swim in the ocean of God's grace, we can't help but respond with playful abandon. We will grin, laugh, and splash around. We will burst into song at inappropriate times, dance, play, serve, fall on our knees in worship, give our lives away, and embrace each other. We'll sin less. We'll love more. We are free. And, we'll naturally think about others. We'll sacrifice to reach to the lonely, the lost, the helpless, the forgotten. Everything, everything seems fresh, vibrant - alive. We find ourselves pausing in the middle of a busy day, shaking our heads and whispering, "Go figure... me.".»

Excerto de um livro chamado Truefaced, de Bill Thrall, Bruce McNicol e John Lynch.

É uma Apologia da Graça. Tão radical que até custa acreditar e, às vezes, até parece perigoso aceitá-la.

Não sei se vivo in The Room of Grace, nem sei se alguma vez lá estive... Desconfio que pelo menos já andei lá a espreitar à porta. É atraente não é? Viver sem que tenhamos que esconder a nossa verdadeira cara, livres das nossas máscaras, sem medo de expor os nossos defeitos e as nossas necessidades... E, ao mesmo tempo, sermos suportados por um ambiente de Graça que nos permite dar a Deus e aos outros o tempo e espaço necessários para eles nos ajudarem a sarar as nossas feridas e as nossas lutas contra o pecado. E, a julgar pelo que os autores do livro dizem, o processo não fica por aí. O objectivo final é o amadurecimento que nos leva a uma vida fascinante. A vida abundante da qual Jesus falou...

Não era fixe se cada igreja fosse um Room of Grace?

They may say I'm a dreamer, but I'm not the only one.